sábado, 5 de julho de 2014

As 100 Maiores Mentiras de Noam Chomsky

Tradução nossa. Por Paul Bogdanor.


SUMÁRIO

A. As 10 maiores mentiras de Chomsky sobre os assassinatos comunistas em massa

B. As 10 maiores mentiras de Chomsky sobre a História Moderna

C. As 10 maiores mentiras de Chomsky sobre a Guerra Fria

D. As 10 maiores mentiras de Chomsky sobre a Guerra Contra o Terrorismo

E. As 10 maiores mentiras de Chomsky sobre a América Latina

F. As 10 maiores mentiras de Chomsky sobre o conflito Árabe-Israelense

G. As 10 maiores mentiras de Chomsky sobre sua colaboração com os neonazistas negadores do Holocausto

H. As 10 maiores citações falsificadas de Chomsky

I. As 10 maiores principais distorções estatísticas de Chomsky

J. As 10 maiores mentiras de Chomsky sobre si mesmo


A. As 10 maiores mentiras de Chomsky sobre os assassinatos comunistas em massa

10.

A mentira: “em comparação com as condições impostas pela tirania e violência dos Estados Unidos, o Leste Europeu sob o controle russo era praticamente um paraíso”. [1]

A verdade: Os comunistas mataram entre 4,5 e 5 milhões de pessoas na Ucrânia; 400.000 mil na Polônia; 360.000 mil na Romênia; 300.000 na Bielorrússia; 200.000 na Hungria; 100.000 na Alemanha Oriental; 100.000 na Lutuânia; 70.000 na Iugoslávia; 30.000 na Bulgária; 20.000 na Tchecoslováquia e 5.000 na Albânia. Outras atrocidades incluem o assassinato de mais de 500.000 prisioneiros de guerra (POWs) e o estupro em massa de pelo menos 2 milhões de mulheres pelo Exército Vermelho em territórios da Alemanha ocupados pelos soviéticos. [2]

9.

A mentira: “também relevante é a história da coletivização na China, a qual, comparada com a União Soviética, mostra uma maior confiança na persuasão e ajuda mútua do que na força e no terror, e parece ter tido mais êxito.” [3]

A verdade: Os comunistas declararam oficialmente que haviam assassinado 800.000 pessoas nos primeiros anos da ditadura; de forma extraoficial, admitiram o assassinato de 2 milhões em apenas um ano. [4] A coletivização forçada chinesa culminou no Grande Salto Para Frente, a pior catástrofe na história humana, na qual morreram 30 milhões de pessoas. [5]

8.

A mentira: “As fontes básicas para as estimativas mais elevadas de mortes na reforma agrária do Vietnã do Norte foram de pessoas filiadas à CIA ou ao Ministério de Propaganda de Saigon... na verdade não há qualquer evidência de que os líderes ordenaram ou organizaram execuções em massa de camponeses.” [6]

A verdade: O Vietnã do Norte anunciou que 30% das vítimas eram inocentes e que 15.000 foram executadas por erro, o que implica o massacre de 50.000 pessoas. Informações de desertores do Vietnã do Norte indicam que se mataram 50.000 pessoas. Foi informado a um diplomata húngaro, através de uma fonte oficial, que haviam massacrado 60.000. Um esquerdista francês que trabalhava no Vietnã do Norte escreveu que haviam assassinado 100.000. O total de mortos teria sido muitas vezes maior, já que as famílias dos executados morreram de fome sob a política do “isolamento”. [7]

7.

A mentira: “O sucesso revolucionário no Vietnã, tanto na teoria quanto na prática, baseou-se principalmente na tentativa de se compreender e satisfazer as necessidades das massas... Um movimento orientado para ganhar o apoio das massas rurais não recorreria a banhos de sangue entre a população rural.” [8]

A verdade: Segundo estimativas conservadoras, os esquadrões da morte do Vietcong assassinaram 37.000 civis no Vietnã do Sul; a cifra verdadeira foi muito maior, já que se registrou apenas uma pequena parte dos assassinatos anteriores a 1967 e os dados só se estendem até 1972. Os terroristas do Vietcong também iniciaram uma campanha de assassinatos em massa contra aldeias de civis e campos de refugiados; no auge da guerra, cerca de um terço de todas as mortes de civis foi resultado de atrocidades deliberadas do Vietcong. [9]

6.

A mentira: “Dado o estado de confusão de acontecimentos e evidências, somado à completa inconfiabilidade das provas dos EUA-Saigon, pode-se dizer no mínimo que o “banho de sangue” da NFL-DVR no Hue foi inventado a partir de evidências muito frágeis.” [10]

A verdade: Os comunistas jactaram-se de assassinar milhares de pessoas na cidade sul-vietnamita de Hue. Um regimento informou que somente suas unidades haviam matado 1.000 vítimas. Outro informe indicava que 2.867 pessoas foram assassinadas. Outro documento capturado fala de uma “enorme vitória” em que mais de 3.000 pessoas foram mortas. Um documento posterior catalogava 2.748 execuções. [11]

5.

A mentira: “Em um fenômeno que tem poucos paralelos na experiência ocidental, parece ter havido um número de mortes injustas próximo de zero no Vietnã pós-guerra. Este milagre de reconciliação e de moderação... foi quase completamente ignorado.” [12]

A verdade: O desertor Nguyen Cong Hoan afirmou que entre 50.000 e 100.000 pessoas foram massacradas pelos comunistas. O prisioneiro político Doan Van Toe e o oficial comunista Nguyen Tuong Lai informaram que 200.000 desertores do Vietcong foram fuzilados. Um número estimado de 165.000 dissidentes e prisioneiros de guerra morreu nos campos de concentração. As expulsões em massa levaram à morte por afogamento 200.000-250.000 boat people*, de acordo com cifras da ONU. [13]

4.

A mentira: “parece justo descrever a responsabilidade dos Estados Unidos e Pol Pot pelas atrocidades durante “a década do genocídio” como mais ou menos do mesmo calibre.” [14]

A verdade: Não são nem remotamente do mesmo calibre. As forças americanas causaram aproximadamente 40.000 baixas entre membros dos Khmers Vermelhos e civis no Camboja durante 1970-5. Os Khmers Vermelhos mataram mais de 1,8 milhão de civis entre 1975 e 1979. [15]

3.

A mentira: “Uma comparação que apresentamos com grande detalhe é especialmente reveladora: o “banho de sangue benigno” conduzido pela Indonésia após sua invasão do Timor-Leste em 1975, e o “banho de sangue nefasto” dos Khmers Vermelhos quando se apoderaram do Camboja no mesmo ano (...), as duas matanças são comparáveis em escala e características.” [16]

A verdade: Não são comparáveis nem em escala nem em características. A invasão indonésia do Timor-Leste causou 100.000-180.000 mortes. [17] O genocídio dos Khmers Vermelhos no Camboja causou mais de 1,8 milhão de mortes. [18] Os militares indonésios promoveram uma repressão brutal da resistência armada em um território estrangeiro. O banho de sangue dos Khmers Vermelhos foi um ataque motivado ideologicamente contra uma população indefesa em seu próprio país.

2.

A mentira: “Se 2/2½ milhões de pessoas, aproximadamente 1/3 da população foi sistematicamente trucidada por uma gangue de assassinos criminosos que ascendeu ao governo, [o senador] McGovern estaria disposto a considerar uma intervenção militar internacional. Supomos que ele não teria feito essa proposta se a cifra de mortos fosse de, digamos, um centésimo, ou seja, 25.000 pessoas... [ou] se as mortes no Camboja não fossem o resultado da matança sistemática e fome organizada pelo Estado, mas sim atribuíveis em boa medida à vingança entre os camponeses, unidades militares indisciplinadas fora de controle governamental, fome e enfermidades que são consequências diretas das guerras dos EUA e outros fatores.” [19]

A verdade: Nenhum observador sério acredita que apenas 25.000 pessoas morreram sob os Khmers Vermelhos ou que as mortes em massa foram resultado de qualquer outra coisa senão da chacina sistemática e da fome organizada pelo Estado. Mesmo o líder dos Khmers Vermelhos, Khieu Zampam, admitia 2 milhões de mortes, as quais ele atribuía à invasão vietnamita. [20]

1.

A mentira: “A evacuação de Phnom Penh [pelos Khmers Vermelhos], amplamente denunciada na época por sua indubitável brutalidade, pode na verdade ter salvado muitas vidas. É surpreendente que os fatos cruciais raramente aparecem no coro de condenação.” [21]

A verdade: Pelo menos 30.000 crianças muito pequenas morreram como consequência direta da evacuação de Phnom Penh pelos Khmers Vermelhos. [22] No total, pelo menos 870.000 homens, mulheres e crianças de Phnom Penh morreram sob a ditadura dos Khmers Vermelhos. [23]

* Balseiros. (N. do T.)

B. As 10 maiores mentiras de Chomsky sobre História Moderna

10.

A mentira: “Tomemos nossa própria história, a história da conquista do hemisfério ocidental... Os trabalhos antropológicos recentes indicam que o número de pessoas nativas no hemisfério ocidental pode ter girado em torno de aproximadamente 100 milhões... Tomemos somente o norte do Rio Grande, onde havia talvez 10 ou 12 milhões de índios americanos... Muitos deles foram totalmente assassinados ou erradicados, outros sucumbiram às doenças trazidas pelos europeus. Isso é genocídio em massa...” [24]

A verdade: Essas cifras populacionais foram inventadas pelo antropólogo Henry Dobyns e estão desacreditadas. [25] Mais de 90% dos índios americanos morreram devido a enfermidades, não por guerra ou massacre, segundo estudos recentes. [26]

9.

A mentira: “A magnitude das conquistas dos EUA em perseguir suas “boas intenções” [nas Filipinas] pode ser somente especulada. O general James Bell, que comandou as operações ao sul de Luzón, estimou em maio de 1901 que um sexto dos nativos de Luzón fora morto ou perecera por dengue, considerada a consequência da fome provocada pela guerra; dessa forma, mais de 600.000 mortes somente nesta ilha.” [27]

A verdade: Em 1906 foi demonstrado que esta cifra especulatória provinha de “uma entrevista de jornal não verificada, não com o bem conhecido General James F. Bell, mas com o General James M. Bell, uma pessoa completamente diferente, cuja experiência pessoal ficou praticamente restrita às três províncias mais ao sul de Luzón, onde havia praticamente poucas batalhas. Se a entrevista fosse autêntica, o soldado em questão não teria os dados sobre os quais baseou tal afirmação”. [28] Em 1984, o historiador John M. Gates concluiu que o número máximo de mortos na guerra foi 234.000, dos quais 200.000 foram devidos à epidemia de cólera, sem praticamente qualquer relação com a guerra. [29]

8.

A mentira: “Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha combateram na guerra, é claro, mas não principalmente contra a Alemanha nazista. A guerra contra a Alemanha nazista foi travada pelos russos... temos de nos perguntar se a melhor maneira de se livrar de Hitler era matar dezenas de milhões de russos. Talvez uma forma melhor não fosse apoiá-lo primeiramente, como fizeram a Grã-Bretanha e os Estados Unidos.” [30]

A verdade: Os Estados Unidos lutaram contra a Alemanha nazista e o Japão imperial; a Grã-Bretanha lutou principalmente contra a Alemanha nazista. Os soviéticos foram aliados dos nazistas até 1941; depois os Estados Unidos os salvaram do ataque nazista oferecendo-lhes uma massiva ajuda econômica e militar. [31] Nem os Estados Unidos nem a Grã-Bretanha mataram dezenas de milhões de russos: o ataque nazista matou dezenas de milhões de cidadãos soviéticos, muitos dos quais não eram russos. Ao contrário da União Soviética, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha nunca foram aliados da Alemanha nazista.

7.

A mentira: “Em Stalingrado em 1942, os russos rechaçaram a ofensiva alemã, e estava muito claro que a Alemanha não ia ganhar a guerra. Bem, sabemos pelos arquivos russos que a Grã-Bretanha e os Estados Unidos começaram então a apoiar os exércitos estabelecidos por Hitler para conter o avanço russo. Dezenas de milhões de tropas russas morreram. Suponhamos que estivéssemos em Auschwitz. Desejaríamos que as tropas russas fossem contidas?” [32]

A verdade: Não há a menor evidência de que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha utilizaram os exércitos nazistas para atacar a União Soviética e prolongar o Holocausto. Mais tarde Chomsky negou ter proferido esta afirmação (veja na última seção). [33]

6.

A mentira: “O principal representante asiático do Tribunal de Tókio, o juiz R. Pal da Índia, em sua opinião dissidente, disse que a decisão de utilizar a bomba atômica é ‘a única que se parece aproximadamente’ com os crimes nazistas na Guerra do Pacífico. E que ‘nada semelhante a isso poderia ser atribuído aos presentes acusados.’ Válida em si mesma, acredito que ele tem razão e que, particularmente, o bombardeio de Nagasaki foi o experimento mais abominável da história.” [34]

A verdade: Justice Pal era um apologista do Japão Imperial que votou pela absolvição de todos os réus nos Julgamento de Tókio sobre os crimes de guerra do Japão Imperial. Os crimes dos acusados japoneses – incluindo 10 milhões de mortos somente nos anos posteriores a Pearl Harbor – excedeu em muito o total de mortos pelos bombardeios atômicos. Nagasaki não foi bombardeada como um experimento, mas sim porque o Japão não se rendera após Hiroshima. [35]

5.

A mentira: “Ocorre, portanto, que se vencermos a maré da propaganda, Washington se torna a capital mundial da tortura e do assassinato político.” [36]

A verdade: Chomsky escreveu isso pouco depois que 750.000-1,5 milhão de pessoas foram massacradas na Revolução Cultural chinesa; 200.000 boat people levadas à morte pelo Vietnã comunista; 100.000 membros de tribos massacrados no Laos comunista; 1.8-2 milhões assassinados no Camboja comunista; e os comunistas terem iniciado o massacre de 1.5-2 milhões de pessoas no Afeganistão e de 1.25 milhão de pessoas na Etiópia. [37]

4.

A mentira: “O Irã era ‘moderado’ até a queda do , em 1979, enquanto compilava um dos piores registros sobre direitos humanos do mundo, como regularmente documentaram a Anistia Internacional e outros grupos de direitos humanos no mundo, sem afetar a classificação do  como um ‘moderado’ ou o seu aplauso pelas elites dos Estados Unidos.” [38]

A verdade: A Anistia Internacional acusou o  de conduzir 300 execuções políticas. Durante o mesmo período, Macias Nguema matou 50.000 pessoas na Guiné Equatorial, Idi Amin massacrou 300.000 em Uganda e Pol Pot chacinou até 2 milhões no Camboja. [39]

3.

A mentira: “A Líbia é de fato um Estado terrorista, mas em um mundo de terrorismo internacional, trata-se apenas de um elemento fraco... [Seus ataques terroristas] foram reduzidos de próximo de zero a quase zero [pelo ataque aéreo norte-americano].” [40]

A verdade: O terrorismo internacional da Líbia inclui a intervenção militar em apoio a assassinatos em massa em Uganda e na Etiópia; patrocínio de terroristas responsáveis por matar milhares de pessoas nas Filipinas; criação de campos de treinamentos terroristas para milhares de terroristas internacionais; cumplicidade de massacres, atentados e sequestros de civis ocidentais e envolvimento direto com guerras civis e levantes violentos em toda a África e Oriente Médio. [41]

2.

A mentira: “Havia uma época em que Saddam Hussein era perigoso, havia cometido crimes terríveis e era capaz de cometer outros ainda muito piores, e aqueles que agora estão dizendo que ele é demasiado perigoso estavam a apoiá-lo e ajudando-o a se tornar um perigo ainda maior.” [42]

A verdade: A maioria das armas de Saddam Hussein provém de países que logo se opuseram à Guerra do Iraque. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisas da Paz de Estocolmo, 57% das armas provinham da Rússia, 13% da França e 12% da China. Somente 1% vinha dos Estados Unidos ou da Grã-Bretanha. [43] Em outras palavras, a maioria dos opositores da invasão, de cuja posição Chomsky partilha, supriu mais de 80 vezes a quantidade de armas do que os principais partidários dela, cuja posição ele condenava.

1.

A mentira: “Já mencionei a devastação da sociedade civil iraquiana [pelas sanções impostas pelos EUA], com aproximadamente 1 milhão de mortes, das quais mais da metade são de crianças pequenas, segundo informações que não podem ser meramente ignoradas.” [44]

A verdade: Segundo o estudioso em genocídio, Milton Leitenberg, “Todas as supostas cifras posteriores a 1990 de mortalidade infantil no Iraque provêm das agências de propaganda do governo iraquiano.” [45] O Iraque rejeitou todos os pedidos da ONU para permitir que especialistas independentes avaliassem as condições de vida. [46] Após a invasão, os médicos iraquianos disseram que tudo havia sido uma “campanha de propaganda”, e que “as sanções não mataram aquelas crianças – foi Saddam que as matou... suas mães viviam em regiões empobrecidas negligenciadas pelo governo.” [47]

C. As 10 maiores mentiras de Chomsky sobre a Guerra Fria

10.

A mentira: “Nessa segunda fase, a partir de 1945, os principais eventos da Guerra Fria no lado russo foram suas repetidas intervenções nos satélites do Leste da Europa e a invasão do Afeganistão... Os crimes internos diminuíram; embora continuassem muito graves, em poucos casos estiveram no nível dos típicos satélites americanos, algo comum no Terceiro Mundo, onde as normas da moral ocidental não são seguidas.” [48]

A verdade: Em 1947, o regime soviético deliberadamente reteve o alimento da população durante uma fome, causando 1-1.5 milhão de mortes. [49] Durante 1945-53, havia registros oficiais de mais de 300.000 de mortes no Gulag; em 1953, o trabalho escravo estendeu-se para mais de 5,2 milhões de homens, mulheres e crianças. [50] Nenhum satélite norte-americano – nem na Europa nem na América Latina – foi responsável por algo nem mesmo remotamente comparável.

9.

A mentira: “A versão ortodoxa é esboçada em termos cruéis e vívidos no que é amplamente reconhecido ser o documento da versão padrão dos Estados Unidos sobre a Guerra Fria, o NSC 68 de abril de 1950... Cinco anos após a URSS ter sido praticamente aniquilada pelas Potências do Eixo, estas deveriam reconstruir-se dentro de uma aliança dominada pelos Estados Unidos para a eliminação final do sistema soviético, que haviam malogrado em destruir.” [51]

A verdade: O NSC 68 nada diz sobre reconstruir a Alemanha nazista, a Itália fascista ou o Japão Imperial sob a liderança da América com o objetivo de destruir a União Soviética. Advogava políticas “consistentes com os princípios da liberdade e democracia” e propunha elevar os gastos com a defesa para combater a expansão soviética. [52]

8.

A mentira: “Como todos reconhecem, o crime soviético de maior importância foi a assistência de Moscou aos países do Terceiro Mundo ou a movimentos que os Estados Unidos pretendiam subverter ou esmagar... A União Soviética apoiou movimentos indígenas que resistiam à poderosa imposição dos planos dos Estados Unidos – um esforço criminoso, como qualquer intelectual consciente compreende.” [53]

A verdade: Os clientes mais importantes da URSS no Terceiro Mundo foram assassinos em massa, China (Mao Tsé-Tung, antes da ruptura sino-soviética), Coréia do Norte (Kim Il Sung), Vietnã do Norte (Ho Chi Minh), Uganda (Idi Amin), Etiópia (Mengistu Haile Mariam), Síria (Hafez Assad) e Iraque (Saddam Hussein). Entre outras atrocidades, os assessores soviéticos desenvolveram o Gulag chinês [o Laogai, N. do T.], no qual milhões de pessoas foram mortas. [54]

7.

A mentira: “[Em 1965, os Estados Unidos facilitaram] o fluxo de armas e outros equipamentos militares para implementar a política anunciada de “exterminar o PKI (Partido Comunista da Indonésia) (...) Os generais indonésios haviam liquidado o partido dos pobres, destruído a ameaça da democracia, e aberto o país ao saque estrangeiro.” [55]

A verdade: Longe de representar a ameaça da democracia, os comunistas tinham tentado tomar o poder pela força depois de exigirem abertamente o extermínio em massa dos capitalistas e “inimigos do povo.” [56] Os oficiais americanos ficaram tão surpresos com a crise de 1965, que no começo não conseguiram ao menos identificar o general Suharto, que liderava as forças anticomunistas. [57] Os Estados Unidos recusaram-se a fornecer armas que pudessem desencadear o massacre dos comunistas indonésios. [58]

6.

A mentira: “Praticamente todas as partes afetadas, exceto os Estados Unidos, estavam fazendo sérios esforços no início dos anos 1960 para evitar uma guerra iminente para neutralizar o Vietnã do Sul, o Laos e o Camboja – tal era a posição oficial da Frente de Libertação Nacional, o “Vietcong” da propaganda dos EUA, essencialmente o braço sul do Viet Minh.” [59]

A verdade: Como o próprio Chomsky admite, o Vietnã do Norte decidiu iniciar uma revolta armada no Vietnã do Sul em 1959. O Vietnã do Norte criou o Viet Cong e enviou 20.000 homens para atacar o Vietnã do Sul. Em 1961, o Vietnã do Norte empregou 30.000 homens para construir rotas de invasão através do Laos e do Camboja. [60] Em 1964, adentravam o Sul 10.000 tropas norte-vietnamitas por ano, chegando a 100.000 em 1966. Segundo ele mesmo admite, o Vietnã do Norte “teve um papel decisivo” em conduzir ao poder o Pathet Lao no Laos e o Khmer Vermelho no Camboja. [61]

5.

A mentira: “Os porta-vozes da administração mantiveram a opinião que, destruindo o Vietnã, de alguma forma se manteriam firmes contra a agressão chinesa ou russa (...) Houve esforços determinados, sempre inúteis, para estabelecer uma ligação direta mostrando o controle do Viet Minh por Moscou ou Pequim, embora o fracasso em consegui-lo em nada alterou a crença, quase um dogma, que os revolucionários vietnamitas deviam ser agentes chineses ou russos (...) Até onde sabemos, um produto da imaginação.” [62]

A verdade: O envolvimento chinês e soviético foi absolutamente crucial para o ataque do Vietnã do Norte ao Vietnã do Sul. Em julho de 1965, a China estava destinando 200 milhões de dólares em ajuda militar e econômica, enquanto, em outubro de 1966, os soviéticos ofereceram um bilhão de dólares: a “decisão de avançar rumo a uma guerra convencional não poderia ser tomada sem esses pactos”. Em 1971, ano anterior ao que Chomsky escrevia, a ajuda chinesa para o esforço de guerra chegou a 1 bilhão de dólares, e a assistência soviética atingiu 3 bilhões de dólares. [63]

4.

A mentira: “O crime vietnamita de acabar com as atrocidades de Pol Pot [no Camboja] foi castigado com uma invasão chinesa apoiada pelos Estados Unidos, enquanto os EUA passavam a apoiar diplomática e militarmente o destroçado regime de Pol Pot...” [64]

A verdade: O Vietnã não invadiu o Camboja para acabar com as atrocidades dos Khmers Vermelhos, mas sim para instaurar uma ditadura comunista mais obediente, liderada por antigos assassinos dos Khmers Vermelhos. O novo regime escravizou 380.000 camponeses, matando 30.000 civis. [65] Apologistas do Vietnã como John Pilger posteriormente acusaram os Estados Unidos e a Grã-Bretanha de armar os Khmers Vermelhos. As mentiras de Pilger resultaram em uma admissão de calúnia e indenização por danos morais “muito elevada”. [66] A evidência mostra que toda a ajuda ocidental se dirigiu às forças de resistência não comunistas lideradas por Son Sann e pelo príncipe Sihanouk, não ao Khmer Vermelho. [67]

3.

A mentira: “A defesa de Angola foi uma das contribuições mais significativas de Cuba à libertação da África. Não se conhecia [até há pouco] a importância dessas contribuições.” [68]

A verdade: A intervenção armada cubana para assegurar o domínio exclusivo da ditadura comunista do MPLA de Angola levou a três décadas de guerra civil, na qual morreu um milhão de pessoas. Outras “contribuições” de Cuba “à libertação da África” incluem a intervenção militar em apoio da ditadura comunista da Etiópia, a qual assassinou 1,25 milhão de pessoas por meio de massacre e fome imposta. [69]

2.

A mentira: “A escala desses crimes [de Angola e Moçambique] é indicada por um estudo da ONU que estima mais de 60 bilhões em danos e 1,5 milhão de mortos somente durante os anos Reagan, pela via sul-africana, com o apoio dos EUA e da Grã-Bretanha, sob o disfarce de “compromissos construtivos”” [70]

A verdade: O estudo da ONU estimava as perdas ocasionadas pelas guerras civis nesses países e simplesmente as atribuía todas à África do Sul. [71] Na verdade, os combatentes eram revolucionários do Terceiro Mundo (MPLA contra a UNITA, em Angola; FRELIMO contra a RENAMO, em Moçambique) e as principais intervenções estrangeiras foram realizadas por ditaduras marxistas (Cuba em Angola, Zimbábue em Moçambique). [72] Os governos de Reagan e Thatcher opuseram-se aos rebeldes de Moçambique apoiados pela África do Sul.

1.

A mentira: “Em Angola, o “guerreiro libertador” apoiado pelos Estados Unidos, Jonas Savimbi [da UNITA], perdeu as eleições supervisionadas pela ONU, recorrendo de imediato à violência, gerando um resultado terrível. Quando finalmente se juntou ao resto do mundo ao reconhecer o governo eleito [isto é, o MPLA], os Estados Unidos nada fizeram [para deter a UNITA] (...) As atrocidades, que aparentemente superaram as da Bósnia, foram escassamente reportadas.” [73]

A verdade: Oito partidos de oposição rejeitaram a eleição de 1992 como fraudulenta. Um observador oficial das eleições escreveu que havia pouca supervisão da ONU, que 500.000 partidários da UNITA não estavam nas listas eleitorais e que foram feitas 100 mesas eleitorais clandestinas. A UNITA enviou negociadores pacíficos à capital, na qual foram assassinados pelo MPLA, junto com 20.000 partidários da UNITA. Savimbi ainda continuava disposto a seguir com as eleições. O MPLA então massacrou dezenas de milhares de partidários da UNITA em todo o país, com o que se reiniciou a guerra civil. Os observadores de direitos humanos da África acusaram o MPLA de “atrocidades genocidas”, “extermínio sistemático”, “crimes de guerra” e “crimes contra a humanidade”. [74]

D. As 10 maiores mentiras de Chomsky sobre a Guerra Contra o Terrorismo

10.

A mentira: “As potências europeias conquistaram boa parte do mundo com extrema brutalidade. Com as mais raras exceções, não foram atacadas por suas vítimas estrangeiras. Não surpreende, portanto, que a Europa deva estar completamente chocada com os crimes terroristas de 11 de Setembro.” [75]

A verdade: “As conquistas árabe-islâmicas incluem os territórios de Portugal, Espanha, Sardenha, Sicília, Creta, e regiões do sul da França e Itália. O Império Otomano se expandiu não só até a Hungria e sul da Polônia, mas por toda a Europa Central, incluindo territórios da Grécia, da antiga Iugoslávia, Romênia e Bulgária.” [76]

9.

A mentira: “No 11 de Setembro, o mundo reagiu com choque e horror, e com simpatia pelas vítimas. Mas é importante ter em mente que, para grande parte do mundo, a reação foi outra: “Bem-vindo ao clube”. Pela primeira vez na história, uma potência ocidental foi submetida a uma atrocidade desse porte, algo tão familiar em outros lugares”. [77]

A verdade: As conquistas árabe-islâmicas na Europa envolveram inúmeras atrocidades. A agressão e terror nazistas mataram 200.000-250.000 civis na França, 200.000 civis na Holanda, mais de 150.000 civis na Grécia, 60.000 civis na Grã-Bretanha e muitos outros em toda a Europa Ocidental. [78]

8.

A mentira: “Para os Estados Unidos, esta é a primeira vez desde a Guerra de 1812 que o território nacional foi atacado, ou mesmo ameaçado. Muitos comentaristas têm-no comparado a Pearl Harbor, e no entanto isso é errôneo. Em 7 de dezembro de 1941, bases militares dos EUA foram atacadas em duas colônias, não em território nacional, o qual nunca se viu ameaçado.” [79]

A verdade: O Japão atacou Pearl Harbor no Havaí e Clark Field nas Filipinas. Ambos, Havaí e Filipinas, eram parte do território nacional norte-americano. O Japão atacou também Guam, Wake, Kiska e Attu, todos parte do território nacional norte-americano. [80]

7.

A mentira: “[Sobre] a rede de Bin Laden, duvido de que alguém saiba melhor disso do que a CIA, já que esta foi fundamental para ajudar a construí-la.” [81]

A verdade: As acusações de que os Estados Unidos criaram a rede de Bin Laden “não são suportadas por evidências” (Peter Bergen). As acusações “não são verdadeiras” e os fundos da CIA “foram destinados exclusivamente aos grupos mujahideen afegãos, não aos voluntários árabes”. (Jason Burke). “Bin Laden estava “fora da vista da CIA” e “não há qualquer registro de contato direto” (Steve Coll). [82]

6.

A mentira: “Este é certamente um momento crucial: pela primeira vez na história as vítimas estão devolvendo o golpe à Pátria Mãe. [83]

A verdade: Os terroristas islâmicos não foram “vítimas” dos EUA antes do 11 de Setembro: eles já haviam tentado matar 250.000 norte-americanos no World Trade Center e massacrado centenas em seus ataques a alvos americanos no Quênia, Tanzânia e em outros lugares. [84]

5.

A mentira: “[Os agressores] estão conduzindo enormes atrocidades em resposta às verdadeiras atrocidades pelas quais somos responsáveis e que ocorrem até hoje. Isso não importa tanto aqui para nós, e praticamente ninguém no ocidente se preocupa. Mas isso não significa que não seja importante para as vítimas.” [85]

A verdade: Os terroristas praticaram seus ataques porque eram islâmicos fanáticos. [86] Outros atos de assassinato em massa foram cometidos por islamitas em países muçulmanos como Argélia, Egito, Indonésia, Irã e Sudão, e em não-muçulmanos, como Índia, Israel, Filipinas e Rússia.

4.

A mentira: “Os ataques terroristas foram grandes atrocidades na medida em que podem não atingir o nível de muitas outras, por exemplo, o bombardeio de Clinton ao Sudão sem nenhum pretexto crível, destruindo metade de sua indústria farmacêutica e matando um sem-número de pessoas (ninguém o sabe ao certo, porque os EUA impediram uma investigação na ONU e não há quem se preocupe em conduzi-la).” [87]

A verdade: Depois que a al-Qaeda destruiu as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia, matando centenas de pessoas, os EUA bombardearam uma suspeita fábrica de armas químicas no Sudão. O bombardeio foi realizado durante a noite, para que nenhum civil se ferisse. Um guarda de segurança morreu. A Anistia Internacional, o Human Rights Watch, Oxfam e o Médicos Sem Fronteiras tiveram liberdade para investigar os resultados; nenhum dos quais apontou que o bombardeio causou mortes em massa. [88]

3.

A mentira: “Muitos dos que conhecem bem as condições também duvidam da capacidade de Bin Laden para planejar aquela incrível operação sofisticada a partir de uma caverna em algum lugar do Afeganistão. É perfeitamente possível que Bin Laden esteja dizendo a verdade quando diz que nada sabia da operação.” [89]

A verdade: Pouco depois do 11 de Setembro, Bin Laden disse que tinha conhecimento do plano e usara suas habilidades de engenharia civil para calcular quanto de dano os aviões infligiriam ao World Trade Center. [90] Os principais cabeças dos ataques de 11/9, Khalid Sheikh Mohammed e Ramzi Binalshibh, disseram que “executaram os voos suicidas com a aprovação de Bin Laden”. [91]

2.

A mentira: “A civilização ocidental está antecipando o morticínio de, façam as contas, 3-4 milhões de pessoas ou coisa assim [no Afeganistão]... Parece que o que está acontecendo é uma espécie de genocídio silencioso... estamos em meio de aparentemente tentar assassinar 3 ou 4 milhões de pessoas...” [92]

A verdade: A UNICEF estima que serão evitadas todo ano as mortes de 112 mil crianças e 7.500 mulheres grávidas como resultado da ocupação do Afeganistão pelos Estados Unidos. [93]

1.

A mentira: “É aceitável informar o “efeito colateral” dos erros de bombardeios, custo involuntário e inevitável da guerra, mas não a destruição consciente e deliberada de afegãos que perecem em silêncio, invisivelmente – não de propósito, mas porque isso não importa, [o que é] um nível mais profundo de depravação moral (...) As pessoas não morrem de fome instantaneamente. Podem sobreviver à base de raízes e ervas, e se crianças desnutridas morrem devido a doenças, quem procurará determinar quais fatores estão por trás disso?” [94]

A verdade: Os Estados Unidos foram o principal fornecedor de alimentos ao Afeganistão durante uma década, e, após o 11 de Setembro, proveu 2/3 da ajuda alimentícia, salvando o país da fome. [95] O embaixador global das Nações Unidas para a fome anunciou que “não há fome neste inverno no Afeganistão” graças “ao plano de ajuda humanitária sabiamente oferecido pela administração Bush”. [96] O chefe do Programa Mundial de Alimentação em Kabul disse que “está claro que uma possível fome foi evitada”. [97]

E. As 10 maiores mentiras de Chomsky sobre a América Latina

10.

A mentira: “A história moderna da Guatemala foi moldada decisivamente pela invasão e derrubada organizadas pelos Estados Unidos do governo democraticamente eleito de Jacobo Arbenz, em junho de 1954... A modesta e eficaz reforma agrária foi a gota d’água... O stablishment estadunidense considerou intoleráveis o pluralismo e a democracia dos anos 1945-54, e acabou liquidando esse experimento.” [98]

A verdade: Arbenz não foi eleito democraticamente, assim como não houve votação secreta. Arbenz considerava a si mesmo um comunista e formalmente se filiou ao Partido Comunista em 1957. Sua reforma agrária – a “inspiração” do Partido Comunista – foi declarada inconstitucional pela Suprema Corte, que ele tentou eliminar. Apoiou uma resolução parlamentar elogiando Stalin; apoiou-se no Partido Comunista para todas as decisões importantes e recebeu armas do bloco soviético. [99] Arbenz assassinou centenas de opositores políticos. [100] A CIA “apoiava os objetivos da reforma guatemalteca”; e atuou porque temia uma “potencial cabeça-de-praia soviética no hemisfério ocidental”. [101]

9.

A mentira: “O outro 11/9 é o 11 de setembro de 1973, quando operações apoiadas por Henry Kissinger, entre outros, levaram ao bombardeio do palácio presidencial no Chile, à derrocada do governo parlamentar e ao assassínio, em estimativas conservadoras, de aproximadamente 3.000 pessoas... Mas quando lhes fazem a mesma coisa, como vocês sabem, aí é um erro...” [102]

A verdade: Foi o líder marxista Salvador Allende, e não Henry Kissinger, quem foi formalmente condenado pelo parlamento chileno por destruir a democracia no Chile. [103] As afirmações de que Kissinger instigou o golpe militar de 1973 foram repetidamente desacreditadas: a política da Administração Nixon consistiu em apoiar a oposição democrática e a imprensa independente contra Allende. [104]

8.

A mentira: “Os Estados Unidos opuseram-se com tremenda ferocidade a qualquer melhoria nos direitos humanos, ao aumento dos níveis de vida e à democratização da América Latina. O essencial da política estadunidense tem sido aumentar o massacre e a repressão.” [105]

A verdade: Os Estados Unidos apoiaram ou impuseram transições democráticas no Equador (1979), Peru (1980), Honduras (1982), Argentina (1983), Brasil (1985), Uruguai (1985), Guatemala (1986), Suriname (1987), Panamá (1989), Chile (1990), Nicarágua (1990), Guiana (1992) e Paraguai (1993). Colômbia e Venezuela têm sido democracias durante décadas, Belize e Costa Rica o são desde sua independência. Afora a Cuba comunista, todo o hemisfério ocidental é agora democrático*.

7.

A mentira: “Nos anos 1980, os Estados Unidos travaram uma grande guerra na América Central, deixando cerca de 200.000 corpos mutilados e torturados, milhares de órfãos e refugiados, e quatro países devastados. Um dos primeiros alvos do ataque dos Estados Unidos foi a Igreja Católica, que cometeu o terrível pecado de “preferir a opção dos pobres”. [106]

A verdade: As únicas intervenções militares norte-americanas foram a imposição de democracias em Granada e no Panamá, com uma perda mínima de vítimas humanas. Os Estados Unidos não combateram em nenhum outro lugar da região, e tampouco atacaram a Igreja Católica. Os apoios soviéticos e cubanos às forças comunistas ocasionaram guerras civis na Nicarágua, El Salvador, Honduras e Guatemala. [107] A maioria das mortes ocorreu na Guatemala, enquanto este país estava sujeito a um embargo de armas norte-americano por motivos de direitos humanos.

6.

A mentira: “Os massacres organizados pelos Estados Unidos [em El Salvador] elevaram-se quando Reagan chegou ao poder. Um ano depois, a Igreja [salvadorenha] reportou que cerca de 30.000 civis tinham sido mortos e que havia 600.000 refugiados... O número de mortos e refugiados muito provavelmente dobrou desde então.” [108]

A verdade: Organizações de direitos humanos basearam suas estatísticas de mortes civis nos dados do Escritório de Assistência Jurídica da Arquidiocese de Salvador. O primeiro Escritório de Assistência Jurídica, Socorro Jurídico, foi repudiado pela Igreja Católica salvadorenha devido a seu partidarismo a favor das guerrilhas comunistas. Foi demonstrado que a sua substituta, a Tutela Legal, inventou um massacre de 250 pessoas pelo exército. Um desertor comunista informou que a Tutela Legal era uma frente guerrilheira. Um jornalista que residia em El Salvador descobriu que a Tutela Legal simplesmente falsificava as notas de imprensa do exército qualificando as mortes de guerrilheiros como assassinatos de civis. [109]

5.

A mentira: “(...) os esquadrões da morte [salvadorenhos] que ajudamos a estabelecer e que têm subsistido desde então, os quais inevitavelmente cresceram fora da inteligência do aparato paramilitar que construímos em vista de nosso próprio interesse, tanto quanto as condições sociais que fomentam a dissidência e revoltas, em sua maior parte constituem significativamente o nosso legado.” [110]

A verdade: Os Estados Unidos apoiaram os democratas cristãos de centro-esquerda, muitos dos quais foram assassinados por esquadrões da morte. As forças de segurança dividiram-se entre reformistas pró-EUA e fanáticos de extrema-esquerda, os segundos organizando esquadrões da morte com o objetivo de impedir a democracia e a reforma agrária. Os esquadrões da morte eram tão hostis aos Estados Unidos que planejaram matar seu embaixador. [111] Durante o período de assistência norte-americana, os assassinatos pelos esquadrões da morte reduziram-se massivamente e acabaram por ser totalmente eliminados.

4.

A mentira: “Mesmo se aceitas todas as acusações minimamente críveis, a cifra sandinista [na Nicarágua] é favoravelmente comparável com a dos países satélites que, hoje e no passado, circulam na órbita dos EUA e em outros lugares, para colocar a questão em termos mais brandos.” [112]

A verdade: Os sandinistas foram muito piores do que a maioria dos líderes latino-americanos. A Comissão Permanente dos Direitos Humanos da Nicarágua relatou 2.000 assassinatos políticos durante os seis primeiros meses do regime, com 3.000 desaparecidos no mesmo período. A Comissão documentou até agora 14.000 casos de tortura, estupro, sequestro, mutilação e assassinato. [113] Em contrapartida, os assassinados e desaparecidos no Brasil, México, Uruguai, Bolívia e Honduras são estimados em poucas centenas. [114] Em Belize, Costa Rica, Panamá, Equador, Venezuela, Guiana e Suriname não houve assassinatos ou desaparecimentos.

3.

A mentira: “Para garantir que a Nicarágua se tornará parte do ‘bloco dos estados escravizados e dominados pelo comunismo’, os Estados Unidos empreenderam uma guerra de poderes com intensidade cada vez maior contra a Nicarágua enquanto bloqueava qualquer fonte de armamentos que não fosse a preferida: a URSS e seus satélites (...) Somente é permitido ao bloco soviético fornecer armas à Nicarágua para que esta se defenda do nosso ataque.” [115]

A verdade: Desde que se tornou claro que os sandinistas recebiam armas dos soviéticos, Chomsky tenta atribuir a culpa ao apoio norte-americano aos “Contras”. Na verdade, os sandinistas já estavam recebendo armamento soviético imediatamente após tomarem o poder, em 1979. Tanques e artilharia começaram a chegar em meados de 1980, e, no final de 1981, os sandinistas haviam firmado um tratado com os soviéticos que lhes permitia a ampliação do exército nicaraguense a 120.000 tropas, o maior da região. O destacado oficial Roger Miranda explica que os sandinistas alinharam-se aos soviéticos porque estavam a “construir uma sociedade comunista na Nicarágua e porque Washington não podia ignorar os esforços sandinistas para derrubar os governos da América Central...” [116]

2.

A mentira: “Mesmo o fato de que a Nicarágua tivera um governo eleito popularmente é inexpressável no sistema de propaganda dos EUA, com as suas normas de disciplina que poucos intelectuais respeitáveis se atreveriam a desobedecer.” [117]

A verdade: As eleições de 1984 à Assembleia Nacional foram para Presidente e Vice-Presidente. Todos os cargos estavam subordinados aos nove Comandantes Sandinistas, cuja “posição de poder nunca foi posta em questão ou tampouco ratificada eleitoralmente. Essas nove pessoas não estão mais sujeitas à confirmação por voto do que o Comitê Central do Partido Comunista em qualquer país do Bloco Leste...” Os sandinistas podiam manipular as eleições (enganando por sua vez muitos observadores) evitando o requisito do voto secreto, de modo que “as autoridades tiveram a oportunidade de averiguar como cada indivíduo havia votado.” [118]

1.

A mentira: [No filme Poder e Terror] Chomsky argumenta que “enquanto lamentamos a morte dos 3.000 que morreram nas Torres Gêmeas [11 de setembro], não damos a devida atenção ao número quase igual de civis que pereceram quando – diz ele – os EUA bombardearam o bairro panamenho de El Chorrillo, durante a invasão estadunidense de 1989.” [119]

A verdade: O jornalista Marc Cooper comenta: “Eu estava nesse bairro poucos dias depois que ele foi arrasado, e Chomsky está simplesmente errado: não foi bombardeado. Incendiou-se após um confronto a tiros entre as tropas dos Estados Unidos e as do Panamá. E, por mais repreensível que tenha sido a invasão dos EUA, a própria comissão de direitos humanos do Panamá afirmou que morreu talvez um total de 400 pessoas – soldados e civis – durante todo o conflito.” [120]

* Este ensaio foi publicado em 2006, antes da consolidação do governo chavista na Venezuela. (N. do T.)

F. As 10 maiores mentiras de Chomsky sobre o conflito Árabe-Israelense

10.

A mentira: “Muita propaganda é feita nos EUA sobre a ânsia de Israel para a paz após a guerra de 1967... Em agosto de 1967, Yigal Allon lançou o seu “Plano Allon”, tornado política oficial um ano depois. Não se conhecem outras iniciativas israelenses. Os termos “compromisso territorial” e “paz por terra” são utilizados para se referir a uma ou outra versão do plano de Allon, sempre rechaçando totalmente o direito palestino de autodeterminação.” [121]

A verdade: Em julho de 1967, o primeiro ministro Levi Eshkol publicamente confirmou a disposição de Israel em estabelecer um Estado palestino. Ideias semelhantes foram manifestadas por Yigal Allon, Yitzhak Rabin, e Moshe Dayan. [122] Em janeiro de 1976, o primeiro ministro Yitzhak Rabin considerou outro plano para um Estado palestino. Este foi apoiado por Golda Meir, Yigal Allon e Ariel Sharon. [123]

9.

A mentira: “Em fevereiro de 1971, [Sadat] ofereceu a Israel um tratado de paz completo sobre as fronteiras pré-junho de 1967, com garantias de segurança, fronteiras reconhecidas e assim por diante. A oferta de Sadat figurava na linha do consenso internacional da época.” [124]

A verdade: O Egito explicou sua política da seguinte forma: “Há apenas dois objetivos árabes específicos no momento: a eliminação das consequências da agressão de 1967 por meio da retirada de Israel de todos os territórios que ocupou nesse ano, e a eliminação das consequências da agressão de 1948 através da erradicação de Israel.” [125]

8.

A mentira: “A guerra de 1973 foi um caso claro de ataque árabe, mas em um território ocupado por Israel, depois de fracassadas tentativas diplomáticas de chegar-se a um acordo. Por conseguinte, dificilmente pode ser um “fato histórico indiscutível” que a guerra nesse caso teve a ver com “a existência do Estado judeu””. [126]

A verdade: A Síria prometeu: “Nossas forças... continuarão a atacar as forças inimigas até reavermos nossos lugares em nossa terra ocupada, e assim prosseguirão até libertarmos todo o território.” [127] O Egito declarou: “A questão não é apenas a libertação dos territórios árabes ocupados a partir de 5 de junho de 1967... Se os árabes têm a capacidade de libertar pela força seus territórios ocupados desde 5 de junho de 1967, o que poderá impedi-los de dar o próximo passo e libertar a própria Palestina pela força?” [128]

7.

A mentira: “Em 1976, os Estados Unidos foram obrigados a vetar uma Resolução do Conselho de Segurança da ONU que pedia uma solução em termos de consenso internacional, que agora incluía um Estado palestino fronteiriço a Israel... [Israel alegou] que a OLP não apenas apoiou este plano de paz, mas que de fato “o preparou”; a OLP em seguida condenou a “tirania pelo veto” (nas palavras da representação da OLP), pelo qual os EUA bloqueavam este importante esforço para conseguir uma solução pacífica a dois Estados.” [129]

A verdade: O projeto de resolução apoiava o “Direito de Retorno” da OLP para milhões de árabes palestinos, o que implica a dissolução de Israel. A OLP declarou publicamente que “este gueto sionista de Israel deve ser destruído”, e enfatizou que “não reconheceremos Israel”. [130]

6.

A mentira: “[Em 1982] A OLP estava se tornando extremamente inconveniente [para Israel] com a sua insistência em negociar uma saída para o conflito.” [131]

A verdade: A OLP declarou: “Paz para nós significa a destruição de Israel... Não descansaremos até retornarmos para nosso lar e até destruirmos Israel.” A OLP anunciou: “Desejamos liquidar o Estado de Israel a qualquer preço.” A OLP também declarou: “Nunca desejaremos viver em paz com Israel... Jamais reconheceremos Israel...” [132]

5.

A mentira: [Sobre o cerco de Israel a Beirute:] “mantendo a cidade como refém em um esforço para obrigar a OLP a se retirar completamente, o que fez a OLP a fim de salvar a cidade da destruição total.” [133]

A verdade: Longe de tentar salvar a população, a OLP estava ameaçando liquidá-la. Yasser Arafat advertiu que “se os israelenses tentassem invadir a Beirute Ocidental, a OLP explodiria simultaneamente 300 depósitos de explosivos e arrastaria a cidade ao holocausto.” [134]

4.

A mentira: “Quais foram os mais terríveis atos terroristas no Oriente Médio no ano de 1985, o pior deles? (...) O segundo colocado seria o bombardeio israelense de Túnis... Túnis foi atacada com bombas inteligentes. Pessoas foram feitas em pedaços, ou coisas semelhantes, e o ataque matou cerca de setenta e cinco pessoas, tunisianas e palestinas. Elas eram civis... Isto foi, mais uma vez, terrorismo internacional.” [135]

A verdade: Israel bombardeou os quartéis-generais do terrorismo global da OLP em um subúrbio de Túnis. A ofensiva “danificou fortemente ou destruiu edifícios utilizados pela Força 17, a ala de segurança da elite da OLP... deixando os outros [edifícios] do complexo intactos.” [136]

3.

A mentira: “Esses fatos são automaticamente extirpados da História, junto com outros inaceitáveis para o poder dos Estados Unidos, incluindo as repetidas iniciativas da OLP, durante os anos 1980, pedindo negociações com Israel que levassem ao reconhecimento mútuo.” [137]

A verdade: No final da década de 1980, Salah Khalaf, vice-líder da OLP, declarou: “Não houve reconhecimento de Israel por parte da OLP.” O líder da OLP, Yasser Arafat, emitiu uma declaração conjunta com o ditador da Líbia, Muammar al-Gaddafi, confessando que “o assim chamado ‘Estado de Israel’ era uma das consequências da Segunda Guerra Mundial, e, que, como o Muro de Berlim, deveria desaparecer.” [138]

2.

A mentira: “Clinton e Barak avançaram alguns poucos passos no sentido de um acordo similar ao do Bantustão... Três cantões [na Cisjordânia] sob controle israelense, possivelmente separados uns dos outros e do quarto enclave, uma pequena área de Jerusalém Oriental... No quinto cantão, Gaza, o resultado não estava claro, senão que a população também lá permaneceria possivelmente aprisionada. É compreensível que mapas não sejam objeto de conhecimento geral nos Estados Unidos, ou quaisquer dos detalhes das propostas.” [139]

A verdade: A liderança da OLP jactou-se de que “Barak concordou com uma retirada de 95% dos territórios palestinos ocupados” e prometeu que “nossos olhos continuarão a visar o objetivo estratégico, isto é, à Palestina desde o rio até o mar.” [140]

1.

A mentira: “O assunto agora são apenas os homens-bomba... E quando é que os atentados começaram? Ano passado [i.e., 2001], em grande escala... Um ano de crimes palestinos contra Israel após trinta e quatro anos de silêncio. Israel era quase imune. Quero dizer, houve ataques terroristas em Israel, mas não dentro dos territórios ocupados.” [141]

A verdade: Os atentados suicidas em Israel começaram em 1994, menos de um ano após os Acordos de Oslo, que criaram a Autoridade Nacional Palestiniana. Centenas de israelenses foram massacrados em atentados suicidas e em outros ataques terroristas provenientes da Cisjordânia e Gaza antes do colapso do processo de paz no final de 2000.

G. As 10 maiores mentiras de Chomsky sobre sua colaboração com os neonazistas negadores do Holocausto

10.

A mentira: “No outono de 1979, fui convidado por Serge Thion... a assinar uma petição solicitando às autoridades a garantia da segurança de Robert Faurisson e o livre exercício de seus direitos legais.” [142]

A verdade: De acordo com o colaborador de Thion, Pierre Guillaume, Chomsky assinou e promoveu a petição meses depois de sua primeira reunião, sem nenhum convite de Thion. [143] Segundo Faurisson, a petição foi escrita e posta em circulação pelo neonazista Mark Weber. [144]

9.

A mentira: “Pediram-me para assinar uma petição apelando às autoridades para proteger os direitos civis de Faurisson, e eu o fiz. Eu assino incontáveis petições dessa natureza, e não me lembro de ter alguma vez recusado-me a assinar alguma.” [145]

A verdade: Chomsky já se vangloriara anteriormente de ter recusado a assinar uma petição em defesa dos direitos humanos no Vietnã comunista. Naquela ocasião, explicou que “o protesto público é um ato político, que deve ser julgado em termos de suas possíveis consequências humanas,” incluindo a possibilidade de que a mídia americana “iria distorcê-lo e explorá-lo para seus próprios fins propagandistas.” [146]

8.

A mentira: “Pediram-me para assinar uma petição em defesa da “liberdade de expressão e opinião” de Robert Faurisson. A petição não dizia absolutamente nada a respeito do caráter, qualidade ou validade de sua pesquisa, mas limitava-se expressamente à defesa dos direitos fundamentais que geralmente se pressupõem garantidos em sociedades democráticas...” [147]

A verdade: A petição, que Chomsky assinou, recomendava implicitamente a “pesquisa” de Faurisson por (a) afirmar suas credenciais acadêmicas (“um professor respeitado” de “crítica documental”); (b) dignificar sua propaganda como uma “extensa investigação histórica”; (c) colocar o termo “Holocausto” entre ridículas aspas; e (d) apresentar suas mentiras como “descobertas”. [148]

7.

A mentira: “é verdade que Faurisson é um antissemita ou um neonazista? Como apontado anteriormente, não conheço muito bem seu trabalho. Mas, pelo que eu li... não encontrei qualquer evidência que confirme alguma das duas conclusões. Tampouco encontro evidência crível [disso] no material que eu li a seu respeito, nem em suas publicações ou correspondências particulares. Tanto quanto posso determinar, ele é algum um tipo de liberal relativamente apolítico. [149]

A verdade: Chomsky estava bem ciente dos pontos de vista antissemita e nazista de Faurisson, por exemplo, o de que os judeus tinham de usar a estrela amarela porque “Hitler talvez estivesse menos preocupado com a questão judaica do que em garantir a segurança do soldado alemão... Os judeus nos dizem que desde a tenra idade eles já participavam de todos os tipos de atividade ilícita ou resistência contra os alemães.” Faurisson escreveu em publicações neonazistas e discursou em reuniões neonazis. [150]

6.

A mentira: “Serge Thion [é] um estudioso socialista libertário com uma trajetória de oposição a todas as formas de totalitarismo...” [151]

A verdade: Serge Thion é um negador de longa data do genocídio provocado pelo Khmer Vermelho no Camboja, bem como do Holocausto nazista. Ele publicou um livro em apoio à negação do Holocausto feita por Faurisson. [152]

5.

A mentira: “As conclusões de Faurisson são diametralmente opostas às opiniões sustentadas por mim e que tenho frequentemente expressado por escrito (por exemplo, em meu livro “Peace in the Middle East?”, onde eu descrevo o holocausto como “o acesso mais inacreditável de insanidade coletiva da história humana”). [153]

A verdade: A frase no livro de Chomsky “Peace in the Middle East?” aparece em uma passagem apresentando o “argumento sionista” a favor de um Estado judeu, ao qual se opôs. [154]

4.

A mentira: [Negando que ele permitiu aos negadores do Holocausto publicar a tradução francesa do seu livro “Economia Política de Direitos Humanos”:] “Não faço nenhuma tentativa de manter o controle das inumeráveis traduções dos meus livros em diversos idiomas... Entrei em contato com a editora, que verificou seus arquivos e adquiriu o contrato para a tradução em francês – pela Albin-Michael, uma respeitada editora comercial, até onde sei.” [155]

A verdade: De acordo com o negador do Holocausto, Pierre Guillaume, “Chomsky aceitou sem mais delongas que seu livro deveria ser publicado em uma coleção que eu dirigia e para a qual propus Serge Thion e Michael Noel como tradutores. Isso é, ele aceitou que seu trabalho pessoal iria sofrer violentamente com a reação da má reputação a nós imputada [i.e., os negadores do Holocausto]... Seu livro apareceu editado pela Hallier-Albin Michael, em minha coleção.” [156]

3.

A mentira: “Jamais escrevi um ‘artigo em conjunto’ com [o negador do Holocausto, Pierre] Guillaume... Não há o menor indício de qualquer colaboração minha [na preparação do artigo de Guillaume].” [157]

A verdade: Próximo ao fim do seu artigo, Guillaume escreveu: “A primeira versão do texto anterior incluía numerosos erros de detalhes e um erro de análise, do qual Chomsky nos alertou enquanto ele reafirmava que sua posição era fixa e imutável. Corrigimos erros no texto que não prejudicavam o raciocínio e oferecemos, como continuação, os comentários de Chomsky.” [158]

 2.

A mentira: “Não vejo implicações antissemitas em negar a existência de câmaras de gás, ou mesmo na negação do Holocausto.” [159]

A verdade: A ideia de negar a existência de câmaras de gás e do Holocausto foi invenção de antissemitas e de ativistas neonazistas. A negação da existência de câmaras de gás e do Holocausto é a tática básica da propaganda de indivíduos e movimentos antissemitas e neonazistas em todo o mundo. [160]

1.

A mentira: “Voltando ao assunto do meu envolvimento no caso Faurisson, ele se resume a assinar uma petição e, depois disso, responder a mentiras e calúnias. Ponto.” [161]

A verdade: Chomsky mentiu a respeito das opiniões dos negadores do Holocausto (Faurisson e Thion), publicou um de seus livros (Economia Política...) em uma coleção dirigida por um negador do Holocausto (Guillaume), permitiu que seus escritos sobre o assunto (Repónses inédites...) fossem publicados em forma de livro por um negador do Holocausto (Guillaume), ajudou a preparar um ensaio (“Une mise au point”) por um negador do Holocausto (Guillaume), e insistiu em que a negação mesma do Holocausto não é antissemita. Chomsky elogiou os negadores do Holocausto, aprovou suas credenciais políticas e acadêmicas, colaborou com suas campanhas de propaganda e acobertou sua agenda antissemita e neonazista.

H. As 10 maiores citações falsificadas de Chomsky

10.

A mentira: “A Indonésia tem sido um aliado honrado desde que o General Suharto chegou ao poder, em 1965, com um “banho de sangue terrível” que foi ‘a melhor notícia para o Ocidente na Ásia em anos’ (Time), uma ‘assustadora matança em massa de comunistas e pró-comunistas’, majoritariamente camponeses sem terra, que acendeu um “raio de luz sobre a ‘Ásia’ (New York Times).” [162]

A verdade: Time referiu-se ao “banho de sangue terrível” no começo da reportagem e concluiu que as perspectivas de paz regional e neutralidade da Indonésia na Guerra Fria eram “a melhor notícia para o Ocidente na Ásia em anos.” [163] Um artigo do New York Times descrevia mudanças de estratégia na Indonésia, Índia, Paquistão, Japão, Filipinas e China sob a manchete: “Washington: Um Raio de Luz Sobre a Ásia.” A “assustadora matança em massa” só seria mencionada em um editorial do mês seguinte. [164]

9.

A mentira: “Após a Guerra dos Seis Dias, informa-se que Israel impediu uma operação de resgate da Cruz Vermelha durante cinco dias, enquanto milhares de soldados egípcios morriam no deserto do Sinai.” [165]

A verdade: A fonte de Chomsky dizia o exato oposto: “Centenas de caminhões israelenses, em uma vasta operação de resgate, estavam hoje resgatando os remanescentes do exército egípcio no Sinai e transportando os soldados salvaguardados até o Canal de Suez... A Força Aérea de Israel lançará amanhã uma operação para resgatar os soldados que ainda vagam pelo deserto do Sinai. O Coronel Mosche Perlmann, o Ministro da Defesa, disse que representantes da Cruz Vermelha participariam da operação.” [166]

8.

A mentira: “Tais questões ocorrem apenas a “bárbaros extremistas” [wild men in the wings], tomando emprestada uma útil metáfora de McGeorge Bundy, em 1967, sobre aqueles que não conseguem perceber a nobreza da cruzada americana no Vietnã.” [167]

A verdade: Bundy não estava a se referir à esquerda pacifista, mas à direita conservadora: “Há bárbaros extremistas, mas mesmo “no palco principal” o argumento sobre o Vietnã gira em torno das táticas, não dos fundamentos. Este foi o significado principal da derrota esmagadora do senador Goldwater. Pode ser que ele não era tão selvagem quanto parecia, mas o país não se arriscaria.” [168]

 7.

A mentira: “O professor Samuel Huntington (...) explica que o Viet Cong é ‘uma força poderosa que não pode ser dissociada de sua circunscrição, desde que esta continue a existir.’ A conclusão é óbvia, e ele não cede dela. Podemos garantir que a circunscrição deixe de existir (...) Para esmagar a guerra do povo, devemos eliminar o povo.” [169]

A verdade: A frase seguinte de Huntingon rejeitava esta conclusão: “o Viet Cong continuará a ser uma força poderosa que não pode ser dissociada de sua circunscrição, desde que esta continue a existir. A paz no futuro imediato deve, portanto, basear-se no consenso.” [170]

6.

A mentira: “Revistas como a Far Eastern Economic ReviewLondon EconomistMelbourne Journal of Politics e outras alhures ofereceram análises de especialistas altamente qualificados que estudaram toda a gama de evidências disponíveis, e concluíram que as execuções foram calculadas, no máximo, na casa dos milhares; que elas ocorreram em áreas de limitada influência do Khmer Vermelho e descontentamento camponês incomum. Esses relatórios também ressaltavam (...) repetidas descobertas de que os informes sobre massacre eram falsos.” [171]

A verdade: As “análises de especialistas altamente qualificados” remontam à reportagem de um jornalista que se baseara em uma declaração de Pol Pot (Far Eastern Economic Review); uma carta de um leitor ao editor (Economist); e um artigo de um estudante esquerdista em uma revista universitária (Melbourne Journal of Politics). [172]

5.

A mentira: “O Conselho Nacional Palestino, o governo da OLP, emitiu uma declaração em 20 de março de 1977 pedindo o estabelecimento de “um estado nacional independente” na Palestina (em vez de um estado democrático secular da Palestina) e autorizando a presença palestina em uma conferência de paz árabe-israelense. O Primeiro-Ministro, Rabino de Israel, respondeu “que o único lugar em que os israelitas poderiam se encontrar com as guerrilhas palestinas é o campo de batalha.” [173]

A verdade: A declaração afirmava a “determinação [da OLP] de continuar a luta armada” e seu compromisso de guerrear “sem nenhuma paz ou reconhecimento de Israel”. [174] O Rabino respondeu que a declaração “demonstrava que mesmo quando os assim chamados “moderados” a dominavam, a organização ainda clamava pela eliminação de Israel. Dizia que o único lugar em que os israelitas poderiam se encontrar com as guerrilhas palestinas é o campo de batalha. [175]

4.

A mentira: “O comandante da FDN* [uma facção do grupo “Contras”], Adolfo Calero, disse (em Miami) que “não há a menor diferença, nem sequer uma sutil diferença, entre uma fazenda coletiva propriedade do governo e um destacamento militar sandinista”, dessa forma, que o assassinato arbitrário de civis é legítimo”. [176]

A verdade: As palavras seguintes de Calero negavam que o assassinato de civis é legítimo: “O que chamam de cooperativa é também uma concentração de tropas cheia de gente armada. Não estamos matando civis. Estamos combatendo gente armada e respondendo com disparos quando disparam contra nós.” [177]

3.

A mentira: “[The New Republic] aconselhou Reagan e companhia de que devemos enviar ajuda militar a ‘fascistas latino-americanos (...) a despeito de quantos podem morrer’, porque ‘há prioridades norte-americanas mais importantes que os direitos humanos salvadorenhos.’ (...) [Os editores são] partidários apaixonados do terrorismo de estado... Esses valores, típicos da era nazi, sob nenhuma circunstância diminuem a reputação da revista.” [178]

A verdade: O editorial delineava e criticava a argumentação acerca do que os porta-vozes do governo teriam de fazer caso compreendessem os fatos. Concluía: “se se leva a sério impedir a vitória da guerrilha, devem-se levar a sério os direitos humanos (...) [isto é], a abolição das matanças em massa (...), [assim] a única alternativa moral pode ser a intervenção militar – sem aliança com os esquadrões da morte, mas em oposição a eles.” [179]

2.

A mentira: “formulou-se uma concepção muito diferente da natureza humana, uma melhor adaptada ao controle da vida econômica e social pelas absolutistas, irresponsáveis, totalitárias instituições do mundo corporativo. Por exemplo, a concepção expressa pelo Prêmio Nobel de Economia, James Buchanan, que nos ensina que ‘a situação ideal de qualquer pessoa’ [está em] ‘cada pessoa procurar o seu amo em um mundo de escravos.” [180]

A verdade: Buchanan na verdade escreveu: “A sede universal de liberdade do homem é um fato histórico. (...) Em um sentido estritamente personalizado (...) cada pessoa procura ascender sobre um mundo de escravos. Em uma situação social generalizada, todavia (...), o regime anárquico de homens livres, cada um dos quais respeita o direito dos outros, converte-se no sonho utópico.” [181]

1.

A mentira: “Só esse bombardeio [o da fábrica de al-Shifa, no Sudão], segundo estimativas da embaixada alemã no Sudão e da Human Rights Watch, provavelmente deixou de dezenas a milhares de mortos.” [182]

A verdade: A “estimativa” da embaixada da Alemanha foi o que um ex-embaixador autoqualificou como “palpite”, sem basear-se em nenhuma evidência. A Human Rights Watch negou publicamente ter dado qualquer estimativa. [183]

FDN é a sigla de Força Democrática Nicaraguense. (N. do T.)

I. As 10 maiores principais distorções estatísticas de Chomsky

10.

A mentira: “Na Coreia do Sul, as forças de segurança, instaladas e dirigidas pelos Estados Unidos, mataram aproximadamente 100.000 pessoas no final de 1940. Isso ocorreu antes da Guerra da Coreia.” [184]

A verdade: De acordo com a história desse período, segundo o especialista em Guerra da Coreia, John Merrill, “a guerra foi precedida de uma importante insurgência no Sul e sérios enfrentamentos ao longo do paralelo trinta e oito”, e em torno de 100.000 pessoas morreram em “distúrbios políticos, guerras de guerrilha e em conflitos nas fronteiras.” [185]

9.

A mentira: “Relembremos a estimativa de Bernard Fall de que em abril de 1965, antes de ser detectado o primeiro batalhão norte-vietnamita no Vietnã do Sul, mais de 160.000 “Vietcongs” sucumbiram “sob o peso esmagador das armas norte-americanas, do Napalm, dos bombardeios a jato e, finalmente, dos gases eméticos.” [186]

A verdade: Fall informava as estimativas da propaganda do Vietcong: “a própria declaração da NFL [é] que mais de 160.000 sul-vietnamitas (do sul, provavelmente) morreram até agora nesta guerra.” [187]

8.

A mentira: “[François] Ponchaud cita um relatório cambojano de que 200.000 pessoas foram mortas pelos bombardeiros estadunidenses de 7 de março a 15 de agosto de 1973. Não cita a fonte (...) Ponchaud cita ‘autoridades cambojanas’ que deram as cifras de 800.000 mortos e 240.000 feridos antes da libertação. Tais cifras são implausíveis.” [188]

A verdade: Ponchaud estava a informar acerca dos dados da propaganda dos Khmers Vermelhos: o bombardeio matou 200.000 pessoas “de acordo com os cálculos dos revolucionários” e “as autoridades de Kampuchea declararam 800.000 mortos e 240.000 incapacitados como resultado da guerra.” [189] Ao atribuir essas cifras a Ponchaud, Chomsky presume que ele habitualmente exagera e dessa forma não pode ser confiável como fonte sobre as atrocidades do Khmer Vermelho.

7.

A mentira: “Os bombardeiros [norte-americanos no Camboja], que a CIA estima terem matado em torno de 600.000 pessoas, mobilizou o Khmer Vermelho...” [190]

A verdade: A estimativa da CIA referia-se a “mortes relativas à guerra” causadas pelos dois lados, não ao total de mortos por bombardeios, o que não foi comentado. A CIA advertiu que as cifras eram discutíveis e concluiu: “Nenhuma dessas estimativas é bem fundamentada.” [191] A cifra de 600.000 pode ter sido inventada pelo próprio Pol Pot, e é mais que o dobro do número real de mortes relacionadas à guerra. [192]

6.

A mentira: “Suponhamos que suas estimativas [i.e., as dos EUA] pós-guerra [de mortes no Camboja] são corretas. Dado que os Estados Unidos são diretamente responsáveis pela situação ao final da guerra, também assim o são pelas milhões de mortes que foram previstas como um resultado direto dessa situação.” [193]

A verdade: A predição norte-americana não se referia aos efeitos da guerra, mas às mortes em massa esperadas como consequência da tomada brutal do poder pelos Khmers Vermelhos, especialmente à marcha rumo à morte a partir de Phnom Penh. [194]

5.

A mentira: “Ponchaud (...) estimou o número de mortos [pelos Khmers Vermelhos] em 100.000 ou mais...” [195]

A verdade: Ponchaud estimou a cifra de executados pelos Khmers Vermelhos em 100.000 ou mais; estimou a soma total das brutalidades cometidas pelos Khmers Vermelhos (execuções em massa, marchas da morte, trabalhos forçados, fome artificial) em 800.000 a 1,4 milhão no primeiro ano, e 2 milhões até o fim do regime. [196]

4.

A mentira: “O relatório demográfico da CIA [sobre o Camboja] dá a cifra de 50.000 a 100.000 pessoas que “podem ter sido executadas”, e uma estimativa sem sentido de mortes atribuídas a todas as causas.” [197]

A verdade: O estudo demográfico da CIA estimou que 250.000 pessoas foram vítimas de execução e que 50.000-100.000 foram realmente assassinadas somente em um dos expurgos dos Khmers Vermelhos, em abril de 1975 a janeiro de 1977. O estudo colocou o percentual do decréscimo total da população sob Khmers Vermelhos em 1,2-1,8 milhão de pessoas. [198]

3.

A mentira: “Muitos ataques israelenses não são todos por retaliação, incluindo a invasão de 1982, que devastou boa parte do Líbano e deixou 20.000 civis mortos...”. [199]

A verdade: Na primeira semana da guerra de 1982, a OLP estimou 10.000 mortes. Apesar desses “exageros extremos”, a agência de notícias da OLP tornou-se a “principal fonte de informação” das autoridades libanesas. [200] Como consequência, em fins de 1982 o governo libanês estimou mais de 19.000 mortes, em sua maioria de soldados. Em 1984, o governo libanês abandonou esta cifra, anunciando que “aproximadamente 1.000 libaneses foram mortos como resultado da invasão israelita.” [200]

2.

A mentira: “A invasão [israelita do Líbano] em 1982 com suas sequelas imediatas deixou em torno de 20.000 mortos; segundo fontes libanesas, o número total de vítimas nos anos seguintes foi de 25.000 [i.e., Israel matou 45.000 libaneses]”. [203]

A verdade: Chomsky repete duas vezes a propaganda árabe. A primeira cifra foi abandonada pelo governo libanês há anos (ver mais acima). A segunda cifra provém de uma única frase de uma reportagem que oferece uma cifra sem fundamento que claramente inclui a guerra de 1982. [204]

1.

A mentira: “Os EUA e a Grã-Bretanha (...) haviam matado aproximadamente 100.000 pessoas [no Iraque] até o outubro [de 2004] – obviamente [mataram] muito mais até hoje.” [205]

A verdade: Um estudo de 2004 afirmava que a Guerra do Iraque deixou no máximo 100.000 mortes. [206] Ele incluía mortes devidas a crimes, acidentes, ataques cardíacos, derrames, infecções etc. Incluía combatentes e civis. Incluía mortes de inimigos bem como de aliados. Uma análise independente dessas cifras sugeriu que 39.000 foram mortos pelas duas partes, e que as demais perdas devem-se a causas outras. [207]

J. As 10 maiores mentiras de Chomsky sobre si mesmo

10.

A mentira: “Eu nunca me considerei um ‘marxista’ e, de fato, considero conceitos como ‘marxista’ (ou ‘freudiano’) como mais próprios da religião organizada do que da análise racional”. [208]

A verdade: Uma década antes, Chomsky declarou: “na minha opinião, uma perspectiva marxista-anarquista [na política] justifica-se independentemente de qualquer coisa que possa ocorrer na linguística”. Posteriormente, dizia: “Não vejo qualquer razão para abandonar a ideia do anarquismo... assim como não abandonaria o marxismo...” [209]

9.

A mentira: “Meus próprios escritos incluem discussão considerável acerca da natureza criminosa da doutrina e prática marxistas-leninistas.” [210]

A verdade: Chomsky anteriormente declarara: “Seria um erro grotesco dizer que Stalin simplesmente colocou em prática os princípios leninistas”, pois o “Estado e a Revolução” de Lênin “é a princípio excelente”. Sua principal crítica não foi que Lênin foi um assassino em massa, mas que reprimiu seus companheiros comunistas. [211]

8.

A mentira: “Se se atentar ao que escrevi sobre a Guerra do Vietnã, não há uma só palavra em apoio ao Vietcong. Toda a esquerda apoiava Ho Chi Minh: eu dizia que o Vietnã do Norte era uma ditadura stalinista brutal.” [212]

A verdade: Chomsky disse a um público norte-vietnamita: “O heroísmo de vocês revela a capacidade da vontade e do espírito humanos. Gente decente de todo o mundo vê em suas lutas um modelo para si mesma.” [213] Ele escreveu que o Vietnã do Norte estava a “criar uma sociedade industrial moderna, igualitária e democrática”, que “oferecia esperança para o futuro aos camponeses”. E acrescentou: “Suas conquistas são, além disso, muito notáveis”. [214] Chamou o Vietnã comunista do pós-guerra de “um milagre de reconciliação e de moderação.” [215]

7.

A mentira: “Um crítico afirma que eu argumentei ‘que não se deve dar credibilidade aos refugiados do Camboja’, baseando-se em um artigo de revisão no qual escrevemos que ‘seus relatórios devem ser seriamente considerados’. Como pode ele transformar nossas conclusões em seu oposto? Simples. Suprimindo nossas conclusões e apenas citando que ‘cautela e prudência são necessárias’ pelas razões mencionadas, as quais, como acrescentamos, são de sentido comum”. [216]

A verdade: Chomsky claramente argumentou que não se deve dar credibilidade aos refugiados. Referindo-se à “extrema falta de credibilidade dos relatórios dos refugiados”, explicou: “Os refugiados estão assustados e indefesos, à mercê de forças estrangeiras. Naturalmente, tendem a dizer o que pensam que seus interlocutores desejam ouvir. Ainda que esses relatórios devam ser seriamente considerados, cautela e prudência são necessárias. Os refugiados entrevistados por ocidentais e tailandeses, especificamente, têm um interesse particular em informar sobre as atrocidades por parte dos revolucionários cambojanos...”. [217]

6.

A mentira: “Como é difícil crer que os editores tomem seus leitores por completos idiotas, presumo que deva haver algum tipo de erro de impressão e que os editores, na verdade, queriam dizer que eu nunca prefaciei nenhuma ‘publicação da OLP’. Neste último caso teriam, pelo menos, o mérito de dizer uma verdade”. [218]

A verdade: Em 1976, Chomsky escreveu o prefácio de um livro de Sabri Jiryis, do Centro de Investigação da OLP em Beirut. [219] Jiryis descreve si mesmo como um “velho terrorista cabeça-dura”, acrescentando que após 1967 foi responsável por “supervisionar ações clandestinas [i.e., ataques terroristas] do Al-Fatah” no norte de Israel. [220]

5.

A mentira: [Desmentindo sua afirmação de que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha utilizaram os exércitos nazistas para atacar a URSS e prolongar o Holocausto]: “tão ridículo para merecer comentário... Ninguém pode seriamente usar isso como fonte... Diatribes pueris nos jornais tentando desacreditar inimigos políticos... Uma tentativa de desacreditar um inimigo político odiado... Eu não tenho nada a ver com isso... quase tudo calúnia... um ridículo artigo calunioso no New Yorker.” [221]

A verdade: A afirmação de Chomsky, citada no New Yorker, está gravada em vídeo. [222]

4.

A mentira: “Eu durante anos tenho sido provavelmente o maior oponente da campanha de boicote contra Israel”. [223]

A verdade: No início daquele ano, Chomsky assinou uma petição para que as universidades boicotassem Israel. “O boicote será um longo e lento processo”, lamentou ele, uma semana antes de aparecer como palestrante em uma conferência universitária para a promoção de apoio à campanha de boicote. [224]

3.

A mentira: “Eu não previ nada [sobre o “genocídio silencioso” no Afeganistão]... As advertências ainda continuam válidas, um truísmo que não deveria ser necessário explicar.” [225]

A verdade: Chomsky disse que “um número desconhecido de afegãos morrerá de fome... Talvez milhões de afegãos famintos.” Declarou que “Washington agiu prontamente para assegurar a morte e o sofrimento de um enorme número de afegãos, milhões dos quais já estavam à beira da inanição”, e observou que “o plano discreto da administração seria continuar o programa de genocídio silencioso em andamento”. [226] Nenhum genocídio jamais ocorreu desde então ou depois.

2.

A mentira: “O termo “teoria da conspiração” é particularmente revelador. Sempre me opus explícita e energicamente a ‘teorias da conspiração’, e inclusive sou bem conhecido por isso.” [227]

A verdade: Chomsky considera os esportes, as competições e o sexo como parte da conspiração dos meios de comunicação: “No que se refere à população em geral, à qual se dirigem os meios reais de comunicação de massa, o principal é tirá-la de cena. Fazer com que se interesse por outra coisa. Esportes profissionais (...), Quem quer ser um milionário?, quem vai ganhar as “Séries Mundiais”, sexo, qualquer coisa sem importância. Se você observar a mídia de massas, é isso o que ela faz.” [228]

1.

A mentira: “Há tantas coisas que nos impedem de fixar o olhar às estruturas em que estamos imersos, que qualquer um que saia da linha está correndo um sério risco. Não que nesse país você será fuzilado, como ocorre em muitas sociedades violentas, mas definitivamente há punições – em termos de carreira profissional, status e renda.” [229]

A verdade: Longe de impor-lhe penalidades por suas opiniões, o governo americano deu a Chomsky sua carreira profissional, status e renda. Como uma vez ele próprio admitiu: “O MIT paga apenas trinta ou quarenta por cento do meu salário. O resto vem de outras fontes, do Departamento de Defesa em sua maior parte.” [230]

Referências

[1] Carta reimpressa in Alexander Cockburn, The Golden Age Is In Us (Verso, 1995), pp149-51.
[2] Alec Nove, “Victims of Stalinism: How Many?” in J. Arch Getty and Roberta T. Manning, eds., Stalinist Terror (Cambridge University Press, 1993), p266 (Ukraine); Jan T. Gross, Revolution From Abroad (Princeton University Press, 2002), pp228-9 (Poland); Martyn Rady, Romania in Turmoil (I.B. Tauris, 1992), p31 (Romania); Washington Post, January 16, 1994 (Belarus); Karel Bartosek, “Central and Southeastern Europe,” in Stephane Courtois, ed., The Black Book of Communism (Harvard University Press, 1999), p395 (Hungary, Bulgaria);  Los Angeles Times, October 27, 1991 (East Germany);  US News & World Report, October 20, 1997 (Lithuania); New York Times, July 9, 1990 (Yugoslavia);  Philadelphia Inquirer, November 3, 1999 (Czechoslovakia);  New York Times, July 8, 1997 (Albania); David M. Glantz and Jonathan House,  When Titans Clashed: How the Red Army Stopped Hitler (University Press of Kansas, 1995), p307 (POWs); Anthony Beevor, The Fall of Berlin 1945 (Penguin, 2003), p410 (rapes).
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[4] New York Times, June 13, 1957 (official figures); November 15, 1970 (unofficial figures).
[5] Basil Ashton, Kenneth Hill, Alan Piazza, Robin Zeitz, “Famine in China, 1958-61,” Population and Development Review, December 1984, p614.
[6] The Washington Connection and Third World Fascism (South End Press, 1979), pp342, 432n168.
[7] J. Price Gittinger, “Communist Land Policy in North Vietnam,”  Far Eastern Survey, August 1959, p118 (percentage, mistake); Robert F. Turner, Vietnamese Communism: Its Origins and Development (Hoover Institution Press, 1975), pp141-3, 155-7 (defectors, diplomat, isolation); Gerard Tongas, J'ai vécu dans l'enfer communiste au Nord Viêt-Nam  (Paris: Nouvelles Editions Debresse, 1960), p222 (French leftist). Chomsky cites former Diem official Nguyen Van Chau, who branded the story a Saigon fabrication, but Chau had been purged by the Saigon authorities and was active in support of the Viet Cong: New York Times, November 23, 1963 (purge); Vietnam News Agency, Paris, December 21, 1972 (Viet Cong).
[8] The Washington Connection and Third World Fascism  (South End Press, 1979), pp340-1.
[9] Guenter Lewy, America in Vietnam (Oxford University Press, 1978), pp272-3, 448-9.
[10] The Washington Connection and Third World Fascism  (South End Press, 1979), p352.
[11] Stephen T. Hosmer, Viet Cong Repression and its Implications for the Future (Rand Corporation, 1970), pp73-4.
[12] The Washington Connection and Third World Fascism  (South End Press, 1979), p28.
[13] Human Events, August 27, 1977 (Nguyen Cong Hoan); Al Santoli, ed., To Bear Any Burden (Indiana University Press, 1999), pp272, 292-3 (Doan Van Toai, Nguyen Tuong Lai); Orange County Register, April 29, 2001 (concentration camps); San Diego Union, July 20, 1986 (boat people).
[14] Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass Media (Vintage, 1994), pp264-5.
[15] Marek Sliwinski, Le Génocide Khmer Rouge: Une Analyse Démographique (Paris: L’Harmattan, 1995), pp41-8, 57.
[16] Deterring Democracy (Vintage, 1992), p380.
[17] Washington Post, January 21, 2006, citing the UN Truth Commission.
[18] Marek Sliwinski, Le Génocide Khmer Rouge: Une Analyse Démographique (Paris: L’Harmattan, 1995), p57.
[19] After the Cataclysm (South End Press, 1979), pp138-9.
[20] Interview, Time, March 10, 1980.
[21] After the Cataclysm (South End Press, 1979), p160.
[22] Ea Meng-Try, “Kampuchea: A Country Adrift,” Population and Development Review, June 1981, p214.
[23] Marek Sliwinski, Le Génocide Khmer Rouge: Une Analyse Démographique (Paris: L’Harmattan, 1995), p57.
[24] Language and Politics (AK Press, 2004), p479.
[25] David Henige,  Numbers From Nowhere: The American Indian Contact Population Debate (University of Oklahoma Press, 1998), pp66-87.
[26] Noble David Cook, Born to Die: Disease and New World Conquest, 1492-1650 (Cambridge University Press, 1998), p206.
[27] Turning the Tide (South End Press, 1985), p88.
[28] James A. LeRoy, “The Philippines and the Filipinos,” Political Science Quarterly, June 1906, p303.
[29] John M. Gates, “War-Related Deaths in the Philippines, 1898-1902,”  Pacific Historical Review, August 1984, p376.
[30] Larissa MacFarquhar, “The Devil’s Accountant,” The New Yorker, March 31, 2003.
[31] Albert L. Weeks, Russia’s Life-Saver: Lend-Lease Aid to the USSR in World War II (Lexington Books, 2004).
[32] Larissa MacFarquhar, “The Devil’s Accountant,” The New Yorker, March 31, 2003.
[33] See John Williamson, “Chomsky, Language, World War II and Me,” in Peter Collier and David Horowitz, eds., The Anti-Chomsky Reader (Encounter Books, 2004), pp236-9.
[34] “An Exchange on ‘The Responsibility of Intellectuals,’” New York Review of Books, April 20, 1967.
[35] Robert P. Newman, Truman and the Hiroshima Cult (Michigan State University Press, 1995), pp149, 139, 105-13.
[36] The Washington Connection and Third World Fascism (South End Press, 1979), p16. Emphasis in original.
[37] Andrew G. Walder and Yang Su, “The Cultural Revolution in the Countryside,” China Quarterly, March 2003 (China);  Washington Post, August 3, 1979 (Vietnam);  Forced Back and Forgotten (Lawyers Committee for Human Rights, 1989), p8 (Laos); Sylvain Boulouque, “Communism in Afghanistan,” in Stephane Courtois, ed.,  The Black Book of Communism, (Harvard University Press, 1999), p725 (Afghanistan);  New York Times, December 14, 1994 (Ethiopia). On the absurdity of Chomsky’s argument, see Stephen J. Morris, “Chomsky on US Foreign Policy,” Harvard International Review, December-January 1981.
[38] Pirates and Emperors, Old and New (rev. ed., Pluto Press, 2002), p112.
[39] Washington Post, March 23, 1980.
[40] Pirates and Emperors, Old and New (rev. ed., Pluto Press, 2002), pp84, 99.
[41] Washington Post, July 27, 1980.
[42] Interview, International Socialist Review, September-October 2002.
[43] The Times, UK, April 8, 2003.
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[45] Milton Leitenberg, “Saddam is the Cause of Iraqis’ Suffering,”  Institute for the Study of Genocide Newsletter, No. 28, n.d.
[46] New York Times, September 12, 2000.
[47] Sunday Telegraph, UK, May 25, 2003.
[48] World Orders, Old and New (Columbia University Press, 1996), p39.
[49] Michael Ellman, “The 1947 Soviet Famine and the Entitlement Approach to Famines,” Cambridge Journal of Economics, September 2000, pp603-30.
[50] Anne Applebaum, Gulag: A History (Doubleday, 2003), pp583, 579, 581.
[51] Deterring Democracy (Vintage, 1992), pp10-1.
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[54] Jung Chang and Jon Halliday, Mao: The Unknown Story (Jonathan Cape, 2005), p338.
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[56] Arnold C. Brackman, The Communist Collapse in Indonesia (W.W. Norton & Co., 1969), pp63-5.
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[58] Ibid., p803. Journalist Kathy Kadane alleged that the American Embassy supplied a “death list” of 5,000 communists, but her report was discredited: see New York Times, July 12, 1990; AIM Report, September 1990.
[59] Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass Media (Vintage, 1994), p181.
[60] The Economist, February 26, 1983.
[61] Washington Post, April 23, 1985.
[62] “Vietnam: How Government Became Wolves,” New York Review of Books, June 15, 1972.
[63] Spencer C. Tucker, ed., Encyclopedia of the Vietnam War (Oxford University Press, 2001), pp448-9.
[64] Rogue States: The Rule of Force in World Affairs (Pluto Press, 2000), p9.
[65] Craig Etcheson, After the Killing Fields (Praeger, 2005), pp24, 27.
[66] The Guardian, UK, July 6, 1991.
[67] Stephen J. Morris, “ABC Flacks For Hanoi,” Wall Street Journal, April 26, 1990 and “Skeletons in the Closet,” The New Republic, June 4, 1990.
[68] Hegemony or Survival (Penguin Books, 2004), p94.
[69] Médecins Sans Frontières, “Angola: An Alarming Nutritional Situation,” August 1999 (Angola death toll); Washington Post, March 18, 1978 (Ethiopia intervention); New York Times, December 14, 1994 (Ethiopia death toll).
[70] Powers and Prospects (Pluto Press, 1996), p199.
[71] South African Destabilization: The Economic Cost of Frontline Resistance to Apartheid (UN Economic Commission for Africa, 1989).
[72] The left-wing mythology about these wars is ably debunked in W. Martin James, A Political History of the Civil War in Angola, 1974-1990 (Transaction, 1991); David Hoile, Mozambique, Resistance and Freedom: A Case For Reassessment (London: Mozambique Institute, 1994). Hoile dismantles the StateDepartment’s infamous Gersony Report on alleged Renamo atrocities.
[73] World Orders, Old and New (Columbia University Press, 1996), p62.
[74] National Society for Human Rights, Ending the Angolan Conflict, Windhoek, Namibia, July 3, 2000 (opposition parties, massacres); John Matthew, Letters,  The Times, UK, November 6, 1992 (election observer); NSHR, Press Releases, September 12, 2000, May 16, 2001 (MPLA atrocities).
[75] 9-11 (Seven Stories Press, 2001), p12.
[76] Paul Fregosi, Jihad in the West: Muslim Conquests from the 7th to the 21st Centuries (Prometheus Books, 1998).
[77] “There’s Good Reason to Fear US,” Toronto Star, September 7, 2003.
[78] Peter Calvocoressi, John Wint and Guy Pritchard,  The Penguin History of the Second World War (rev. ed., Penguin, 1999), pp453, 577-8.
[79] 9-11 (Seven Stories Press, 2001), pp11-2.
[80] Ronald Spector,  Eagle Against the Sun: The American War With Japan  (Vintage Books, 1985), pp101, 178.
[81] Interview, Monthly Review, November 2001.
[82] Peter Bergen, Holy War, Inc. Inside the Secret World of Osama Bin Laden (Touchstone, 2002), p66; Jason Burke, Al-Qaeda: The True Story of Radical Islam (Penguin, 2003), p59; Steve Coll, Ghost Wars: The Secret History of the CIA, Afghanistan and Bin Laden, From the Soviet Invasion to September 10, 2001 (Penguin, 2004), p87.
[83] La Jornada, Mexico, September 15, 2001.
[84] Steve Coll, Ghost Wars: The Secret History of the CIA, Afghanistan and Bin Laden, From the Soviet Invasion to September 10, 2001 (Penguin, 2004), pp249-50, 404.
[85] La Jornada, Mexico, September 15, 2001.
[86] See e.g. Daniel Pipes, Militant Islam Reaches America (W.W. Norton & Co., 2002); David Cook, Understanding Jihad (University of California Press, 2005).
[87] “On the Bombings,” ZNet, September 11, 2001: http://www.zmag.org/chomnote.htm.
[88] Washington Post, August 21, 1998.
[89] 9-11 (Seven Stories Press, 2001), pp59-60.
[90] Jason Burke, Al-Qaeda: The True Story of Radical Islam (Penguin, 2003), p248.
[91] Sunday Times, UK, September 8, 2002.
[92] “The New War Against Terror,” Lecture, Massachusetts Institute of Technology, October 18, 2001.
[93] New York Times, February 1, 2002.
[94] Pirates and Emperors, Old and New (Pluto Press, 2002), p150.
[95] Los Angeles Times, January 4, 2002.
[96] Letters, Wall Street Journal, February 5, 2002.
[97] The Spectator, UK, November 30, 2002.
[98] Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass Media (Vintage, 1994), pp71-2.
[99] Piero Gleijeses,  Shattered Hope: The Guatemalan Revolution and the United States, 1944-1954 (Princeton University Press, 1991), pp84, 147, 145, 155, 181-2. This book is a virtual hagiography of Arbenz.
[100] “Antecedentes Inmediatos (1944-1961): El derrocamiento de Arbenz y la intervención militar de 1954,” in Comisión para el Esclaracimiento Histórico (CEH),  Guatemala: Memoria Del Silencio (Guatemala, 1999), Capítulo primero.
[101] Nicholas Cullather,  Secret History: The CIA’s Classified Account of its Operation in Guatemala, 1952-1954 (Stanford University Press, 1999) pp24-7, a study based on the CIA archives.
[102] Interview, Hot Type With Evan Solomon, CBC Newsworld, Canada, December 9, 2003.
[103] “Declaration of the Breakdown of Chile’s Democracy,” Resolution of the Chamber of Deputies, Chile, August 22, 1973.
[104] Mark Falcoff, Modern Chile, 1970-1989 (Transaction, 1989), pp199-251 and “Kissinger and Chile: The Myth That Will Not Die,” Commentary, November 2003; Joaquin Fermandois, “The Persistence of a Myth: Chile in the Eye of the Cold War Hurricane,” World Affairs, Winter 2005.
[105] The Harvard Crimson, March 20, 1985.
[106] 9-11 (Seven Stories Press, 2001), p79.
[107] Roger Miranda and William Ratliff,  The Civil War in Nicaragua  (Transaction, 1993), pp97-125, 135-50.
[108] Turning the Tide (South End Press, 1985), p117.
[109] Washington Post, May 15, 1982 (Socorro Juridico); August 19, 1984 (invented massacre); August 6, 1986 (defector); Human Events, September 15, 1990 (falsified press releases).
[110] Turning the Tide (South End Press, 1985), p168.
[111] New York Times, June 24, 1984; Washington Post, June 27, 1984.
[112] Turning the Tide (South End Press, 1985), p72.
[113] John Norton Moore, The Secret War in Central America (University Publications of America, 1987) p143n94 (2,000 killings); Roger Miranda and William Ratliff,  The Civil War in Nicaragua (Transaction, 1993), p193 (3,000 disappearances);  Insight on the News, July 26, 1999 (14,000 atrocities).
[114] Associated Press, September 9, 1990 (Brazil, 350 dead); Rule by Fear: Paraguay After Thirty Years Under Stroessner (Americas Watch, 1985), p99 (Paraguay, 340 dead); Los Angeles Times, December 9, 2001 (Mexico, 275 dead);  New York Times, April 17, 1989 (Uruguay, 200 dead);  New York Times, March 14, 1999 (Bolivia, 200 dead); New York Times, December 21, 1995 (Honduras, 184 dead).
[115] Turning the Tide (South End Press, 1985), p54.
[116] Roger Miranda and William Ratliff, The Civil War in Nicaragua (Transaction, 1993), pp116-8.
[117] Deterring Democracy (Vintage, 1992), p306.
[118] Martin Kriele, “Power and Human Rights in Nicaragua,” German Comments, April 1986, pp56-7, 64-5.
[119] LA Weekly, January 24-30, 2003.
[120] Ibid.
[121] “Middle East Diplomacy: Continuities and Changes,” Z Magazine, December 1991.
[122] Reuven Pedatzur, “Coming Back Full Circle: The Palestinian Option in 1967,” Middle East Journal, Spring 1995, pp273-6, 278; see also Washington Post, July 6, 1967.
[123] Avraham Wachman, “A Peace Plan,” The New Republic, September 5, 1988; Jerusalem Post, July 27, 1990. At this time “Sharon agreed to the transfer of the entire West Bank to Palestinian sovereignty on condition that all security arrangements be left in the hands of Israel”: Uzi Benziman, Sharon: An Israeli Caesar (Robson Books, 1985), p194.
[124] Fateful Triangle (rev. ed., Pluto Press, 1999), p64.
[125] Al-Ahram, Egypt, February 25, 1971, quoted in Theodore Draper, “The Road to Geneva,” Commentary, February 1974.
[126] Fateful Triangle (rev. ed., Pluto Press, 1999), pp99-100.
[127] Radio Damascus, October 15, 1973, reprinted in Walter Laqueur, ed., The Israel-Arab Reader (rev. ed., Bantam Books, 1976), p459.
[128] Al-Ahram, Egypt, October 19, 1973, quoted in Theodore Draper, “The Road to Geneva,” Commentary, February 1974.
[129] Fateful Triangle (rev. ed., Pluto Press, 1999), p67.
[130] Draft UN Security Council Resolution, January 23, 1976; Newsweek, January 5, 1976; New York Times, February 17, 1976.
[131] Power and Terror (Seven Stories Press, 2003), p52.
[132] El Mundo, Venezuela, February 11, 1980;  The Times, UK, August 5, 1980;  Der Stern, West Germany, July 30, 1981.
[133] Fateful Triangle (rev. ed., Pluto Press, 1999), p309.
[134] Ze’ev Schiff and Ehud Ya’ari, Israel’s Lebanon War (Simon and Schuster, 1984), p220.
[135] Power and Terror (Seven Stories Press, 2003), p54.
[136] Washington Post, October 2, 1985.
[137] Deterring Democracy (Vintage, 1992), p425.
[138] Khalaf, Al-Watan, Kuwait, February 11, 1989; Arafat, BBC Summary of World Broadcasts, January 8, 1990.
[139] “Back in the USA,” Red Pepper, UK, May 2002.
[140] Faisal Husseini, Al-Safir, Lebanon, March 21, 2001. For maps of the Clinton-Barak proposals, see Dennis Ross, The Missing Peace (Farrar, Straus and Giroux, 2004), pp xxiv-xxv.
[141] Interview, May 21, 2002, in Power and Terror (Seven Stories Press, 2003), p32.
[142] “His Right to Say It,” The Nation, February 28, 1981.
[143] Pierre Guillaume, “Une mise au point,” in Droit et Histoire (Paris: La Vieille Taupe, 1986), p152.
[144] Werner Cohn, Partners in Hate: Noam Chomsky and the Holocaust Deniers (Avukah Press, 1995), pp55-6.
[145] Réponses inédites à mes détracteurs parisiens (Paris: Cahiers Spartacus, 1984);  Language and Politics (AK Press, 2004), p290.
[146] Unpublished interview, March 28, 1977; Language and Politics (AK Press, 2004), p176.
[147] “Some Elementary Comments on the Rights of Freedom of Expression,” October 11, 1980, published as the preface to Robert Faurisson,  Mémoire en défense contre ceux qui m’accusent de falsifier l’histoire (Paris: La Vieille Taupe, 1980).
[148] The text of the petition is reproduced in Werner Cohn, Partners in Hate: Noam Chomsky and the Holocaust Deniers (Avukah Press, 1995), pp53-4.
[149] “Some Elementary Comments on the Rights of Freedom of Expression,” October 11, 1980, published as the preface to Robert Faurisson,  Mémoire en défense contre ceux qui m’accusent de falsifier l’histoire (Paris: La Vieille Taupe, 1980).
[150] See Nadine Fresco, “The Denial of the Dead: On the Faurisson Affair,” Dissent, Fall 1981.
[151] “His Right to Say It,” The Nation, February 28, 1981.
[152] Serge Thion, Vérité historique ou Vérité politique? Le dossier de l’affaire Faurisson. La question
des chambres à gaz (Paris: La Vieille Taupe, 1980).
[153] “His Right to Say It,” The Nation, February 28, 1981.
[154] Peace in the Middle East? (Fontana, 1975), p53.
[155] Letter, Outlook (a Canadian communist magazine), June 1, 1989.
[156] Pierre Guillaume, “Une mise au point,” in Droit et Histoire (Paris: La Vieille Taupe, 1986), p154. Translated from French.
[157] Letter, Outlook (a Canadian communist magazine), June 1, 1989.
[158] Pierre Guillaume, “Une mise au point,” in Droit et Histoire (Paris: La Vieille Taupe, 1986), p170. Translated from French.
[159] Quoted in W.D. Rubinstein, “Chomsky and the Neo-Nazis,” Quadrant, October 1981.
[160] As observers had already noted: see Lucy Dawidowicz, “Lies About the Holocaust,” Commentary, December 1980.
[161] Réponses inédites à mes détracteurs parisiens (Paris: Cahiers Spartacus, 1984);  Language and Politics (AK Press, 2004), p291.
[162] “An Island Lies Bleeding,” The Guardian, UK, July 5, 1994.
[163] Time, July 15, 1966.
[164] James Reston, “Washington: A Gleam of Light in Asia,” New York Times, June 19, 1966; Editorial, New York Times, August 25, 1966.
[165] Peace in the Middle East? (Fontana, 1975), p182n20.
[166] The Times, UK, June 15, 1967.
[167] “Memories,” Z Magazine, July-August, 1995.
[168] McGeorge Bundy, “The End of Either/Or,” Foreign Affairs, January 1967, p191.
[169] “After Pinkville,” New York Review of Books, January 1, 1970; At War With Asia (Vintage Books, 1970), pp87-8.
[170] Samuel P. Huntington, “The Bases of Accommodation,” Foreign Affairs, July 1968, p653.
[171] “Distortions at Fourth Hand,” The Nation, June 25, 1977.
[172] Nayan Chanda,  Far Eastern Economic Review, October 29, 1976; W.J. Sampson, Letters,  The Economist, March 26, 1977; B. Kiernan, “Cambodia in the News; 1975/76,” Melbourne Journal of Politics, December 1975-January 1976. Kiernan later acknowledged the genocide and became an apologist for the dictatorship imposed by communist Vietnam.
[173] Fateful Triangle (rev. ed., Pluto Press, 1999), p68.
[174] Political Resolutions of the 13th Palestine National Council, arts. 1,2,9, in Yehoshafat Harkabi, The Palestinian Covenant and its Meaning (Vallentine Mitchell, 1979), pp149-59.
[175] New York Times, March 21, 1977.
[176] “Law and Imperialism in the Central American Conflict,” Journal of Contemporary Studies, SpringSummer 1985, p40.
[177] New York Times, November 23, 1984.
[178] Deterring Democracy (Vintage, 1992), p308.
[179] Editorial, The New Republic, April 2, 1984.
[180] “Industry vs. Labor,” Lies of Our Times, June 14, 1994.
[181] James Buchanan, The Limits of Liberty (University of Chicago Press, 1975), p92.
[182] Interview, Salon.com, January 16, 2002.
[183] Werner Daum, “Universalism and the West,” Harvard International Review, Summer 2001; Carroll Bogert, Communications Director of Human Rights Watch, “Noam Needs a Fact-Checker,” Salon.com, January 22, 2002.
[184] Deterring Democracy (Vintage, 1992), p335.
[185] John Merrill,  Korea: The Peninsular Origins of the War (University of Delaware Press, 1989), p181.
[186] Towards a New Cold War (Pantheon Books, 1982), p145.
[187] Bernard B. Fall, “Viet-Cong - The Unseen Enemy in Viet-Nam,” New Society, UK, April 22, 1965; reprinted in Marcus G. Raskin and Bernard B. Fall, The Vietnam Reader (Random House, 1965), p261.
[188] “Distortions at Fourth Hand,” The Nation, June 25, 1977.
[189] Francois Ponchaud, Cambodia Year Zero (Holt, Rinehart and Winston, 1978), pp170, 71.
[190] “A Rational Reaction,” The Liberal, UK, December 2004-January 2005.
[191] Kampuchea: A Demographic Catastrophe (Central Intelligence Agency, 1980).
[192] Marek Sliwinski,  Le Génocide Khmer Rouge: Une Analyse Démographique (Paris: L’Harmattan, 1995), p48.
[193] After the Cataclysm (South End Press, 1979), p162.
[194] Washington Post, June 4 & 23, 1975.
[195] Letter, Encounter, July 1980.
[196] Francois Ponchaud,  Cambodia Year Zero (Holt, Rinehart and Winston, 1978), p71 (800,000-1.4 million dead); William Shawcross, “The Third Indochina War,” New York Review of Books, April 6, 1978 (2 million dead).
[197] Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass Media (Vintage, 1994), pp383-4n32.
[198] Kampuchea: A Demographic Catastrophe (Central Intelligence Agency, 1980).
[199] Rogue States: The Rule of Force in World Affairs (Pluto Press, 2000), p36.
[200] New York Times, July 14 & 26, 1982.
[201] Associated Press, December 1, 1982; Christian Science Monitor, December 21, 1982.
[202] Washington Post, November 16, 1984.
[203] Hegemony or Survival (Penguin Books, 2004), p167.
[204] Fateful Triangle  (rev. ed., Pluto Press, 1999), pp xx, xxii n20, citing Aliza Marcus, Boston Globe, March 1, 1999.
[205] Interview, Socialist Review, July 2005.
[206] Les Roberts et al., “Mortality Before and After the 2003 Invasion of Iraq: Cluster Sample Survey,” The Lancet, November 20-6, 2004.
[207] Reuters, July 11, 2005.
[208] Interview, Revolution, France, March 13, 1980; Language and Politics (AK Press, 2004), p259.
[209] Interview,  New Left Review, September-October 1969; Interview,  Black Rose, No. 1, 1974; both reprinted in Language and Politics (AK Press, 2004), pp113, 153.
[210] Réponses inédites à mes détracteurs parisiens (Paris: Cahiers Spartacus, 1984);  Language and Politics (AK Press, 2004), p293.
[211] Interview, New Left Review, September-October 1969;  Language and Politics (AK Press, 2004),
p110.
[212] New Statesman & Society, UK, June 3, 1994.
[213] Radio Hanoi, April 14, 1970; Foreign Broadcast Information Service, April 16, 1970. Chomsky admitted to making the speech in his exchange with Sidney Hook, The Humanist, March-April 1971.
[214] At War With Asia (Vintage Books, 1970), pp279, 281-2.
[215] The Washington Connection and Third World Fascism  (South End Press, 1979), p28.
[216] Letters, Encounter, July 1980.
[217] “Distortions at Fourth Hand,” The Nation, June 25, 1977.
[218] Letter, Nouvelles littéraires, France, December 2-8, 1982; reprinted in Noam Chomsky, Réponses inédites à mes détracteurs parisiens (Paris: Cahiers Spartacus, 1984). Translated from French.
[219] Foreword, Sabri Jiryis, The Arabs in Israel (Monthly Review Press, 1976).
[220] David K. Shipler, Arab and Jew: Wounded Spirits in a Promised Land (rev. ed., Penguin Books, 2002), p56.
[221] Email quoted in John Williamson, “Chomsky, Language, World War II and Me,” in Peter Collier and David Horowitz, eds., The Anti-Chomsky Reader (Encounter Books, 2004), p238.
[222] Ibid., pp238-9.
[223] The Harvard Crimson, December 12, 2002.
[224] The Tech, MIT, May 1, 2002; The Harvard Crimson, May 8, 2002; also The Daily Pennsylvanian, October 4, 2002.
[225] The Independent, UK, December 4, 2003.
[226] 9-11 (Seven Stories Press, 2001), pp55, 95, 105.
[227] Quoted in Jeffery Klaehn, “A Critical Review and Assessment of Herman and Chomsky’s ‘Propaganda Model,’” European Journal of Communication, June 2002, p149.
[228] “Interview: An Hour With Noam Chomsky,”  Interventions: International Journal of Postcolonial Studies, April 2002, p119.
[229] Interview, NRC Handelsblad, Netherlands, December 6, 2003.
[230] Quoted in Konrad Koerner, “The Anatomy of a Revolution in the Social Sciences: Chomsky in 1962,” Dhumbadji! Winter 1994.

Sobre o autor:

Paul Bogdanor.

Paul Bogdanor é editor, junto com Edward Alexander, do livro The Jewish Divide Over Israel: Accusers and Defenders (Transaction Publishers, 2006). Também contribuiu com capítulos para os livros The Anti-Chomsky Reader (Encounter Books, 2004), cujos editores são Peter Collier e David Horowitz, e Resurgent Antisemitism: Global Perspectives (Indiana University Press, 2003), editado por Alvin Rosenfeld. Tem seu trabalho publicado em Academic Questions, The Algemeiner, Jewish Chronicle, The Jewish Press, Judaism, Middle East Quarterly, Outpost, Society e Zeek. Atualmente vive na Inglaterra.

Notas do tradutor:

Descobri o excelente ensaio de Paul Bogdanor [1] no livro A volta do idiota, de Plinio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Alvaro Vargas Llosa sobre, segundo os três autores, as “mentiras, distorções e manipulações escritas por Chomsky, num ensaio que circula amplamente nos meios acadêmicos através da Internet: The Top 100 Chomsky Lies (2006), ou As cem maiores mentiras de Chomsky.” [2] Enviei então um e-mail a Paul Bogdanor em que solicitava permissão para traduzi-lo, cortesia que me foi gentilmente concedida. Encontra-se disponível uma tradução em espanhol feita por Mariano Bas Uribe [3], mas nenhuma em português até então.

Durante minha tradução do trabalho original, Paul Bogdanor lançou uma nova versão de sua paciente compilação, The Top 200 Chomsky Lies (As duzentas maiores mentiras de Noam Chomsky, 2013) [4], trabalho este que, sem dúvida, deveria ser traduzido em forma de livro no Brasil, embora talvez nem o incansável Bogdanor consiga dar conta da ilimitada compulsividade de Noam Chomsky por mentir: o idiota ianque preferido do idiota latino-americano, espécie que Llosa, Montaner e Mendoza dissecaram da melhor forma possível em um trabalho anterior. [5]

Dentre todos os críticos da militância comunista de Noam Chomsky, Paul Bogdanor é em nossa opinião o maior. O autor já produziu capítulos de livros sobre a vigarice de Chomsky, é revisor de várias de suas obras desinformantes e mantém em seu site um espaço que reúne “artigos e documentos que expõem a desonestidade e o fanatismo de um militante panfletário de extrema-esquerda e negador de genocídios: Noam Chomsky.” [6]

Por que decidi traduzi-lo? Devo a razão não somente à sua excepcional pesquisa bibliográfica, mas também a seu máximo potencial refutador, porquanto este ensaio não trata de desmistificar apenas uma mitologia chomskyana particular, mas sim toda uma mitologia esquerdista geral, cujo pernicioso bacilo infecta e transforma em idiotas milhares de latino-americanos submersos na mais degradante miséria intelectual, vítimas (ou cúmplices) de estupro cultural por uma ideologia terceiro-mundista alienante.

O tradutor.

Referências


[2] MENDOZA, Plinio Apuleyo; MONTANER, Carlos Alberto; LLOSA, Álvaro Vargas. A volta do idiota. Rio de Janeiro: Lexikon, 2007. pp.178-9.



[5] MENDOZA, Plinio Apuleyo; MONTANER, Carlos Alberto; LLOSA, Álvaro Vargas. Manual do perfeito idiota latino-americano. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997.


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